Fabiana da Silva Prestes
Professora do curso de tecnologia em gerontologia – cuidado ao idoso do Centro Universitário Internacional Uninter
Andrew da Silva Alfaro
Professor do curso de tecnologia em gestão das organizações do terceiro setor e práticas integrativas e complementares (PICS) do Centro Universitário Internacional Uninter
O Brasil vem envelhecendo de forma rápida. Retornando alguns anos na história, vemos que a expectativa de vida ao nascer para homens era de 33,4 anos em 1910, e para mulheres, 34,6. Essa expectativa foi de 42,7 em 1940 para 52,4 em 1960, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Podemos dizer, então, que uma pessoa de 42 anos em 1940 era considerada idosa; já hoje, chegar aos 100 anos não é uma novidade ou raridade.
Os agravamentos das condições de saúde geralmente trazem o idoso para mais perto de seus familiares, mas em um mundo tão globalizado e em um ritmo acelerado, mesmo a maioria dos idosos brasileiros ainda vivendo com seus familiares, nem sempre estes aceitam ou estão aptos à função de cuidadores.
A depressão é um transtorno frequente na população idosa, que pode estar diretamente relacionada com o envelhecimento em si, quando a pessoa tem dificuldades em aceitar-se ou aceitar as transformações naturais decorrentes desse processo. Mas também há casos em que o problema já acompanha esse idoso e apenas se intensifica nessa nova fase da vida.
Podemos dizer que a depressão se caracteriza como um distúrbio de natureza multifatorial e que exerce forte impacto funcional no indivíduo, pois pode levar a uma menor disponibilidade para colocar em prática medidas essenciais para a manutenção de uma boa qualidade de vida, bem como controle de problemas de saúde, sendo considerada a enfermidade mental de maior prevalência em nível mundial.
Alguns dos fatores que podem desencadear a depressão em idosos são: a institucionalização que pode lhe causar sintomas depressivos, como a tristeza, por ser separado de seus familiares; perdas de amigos e entes queridos ao longo de sua vida; afastamento da família por desentendimentos, entre outros fatores; perda do papel social de mantenedor do lar com a chegada da aposentadoria; falecimento do cônjuge; dificuldade em se aceitar nessa fase da vida; baixa autoestima; preconceito; maus-tratos; violência; solidão e isolamento social devido ao declínio das funções em diversos órgãos, que pode impossibilitar o idoso de participar de festas, encontros e atividades diversas das quais antes fazia sem dificuldades.
O profissional da gerontologia tem um papel fundamental no auxílio à população idosa com relação a essa patologia, sendo considerada um dos fatores para o aumento dos índices de morbidade e mortalidade entre a população idosa. Esse profissional deve promover um resgate da independência, autonomia e funcionalidade desses idosos e, por consequência, uma maior qualidade de vida.
Entre as funções do profissional da gerontologia estão o cuidado humanizado, considerando aspectos biopsicossociais e espirituais do idoso; aconselhamento familiar, a fim de manter fortes os laços afetivos, que são essenciais para manter o equilíbrio e sensação de bem-estar e acolhimento; orientações a respeito de hábitos de vida saudáveis para prevenir, tratar e impedir a progressão de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes; suporte familiar e a cuidadores. É necessário que o profissional ressalte a importância de a família oferecer um ambiente saudável, livre de conflitos e que permita ao idoso participar das tomadas de decisões do grupo familiar; e que realize as intervenções necessárias em todos os aspectos de atendimento ao idoso por meio da avaliação gerontológica, bem como fazer os encaminhamentos que forem necessários.
