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Estado de Minas ARTIGO

Autocuidado: nunca foi tão importante discutir


19/07/2020 04:00

Advogada e vice-presidente-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip)

 

O Dia Internacional do Autocuidado (24/7) foi criado para reforçar a importância de cuidarmos de forma responsável da própria saúde, 24 horas por dia, sete dias por semana. E, em tempos de pandemia de COVID-19, nunca foi tão importante discutir o quanto os hábitos e as atitudes individuais corroboram para a preservação da nossa saúde, seja sob a perspectiva individual ou coletiva.


Na prática, o autocuidado diz respeito às atitudes ativas e responsáveis em relação à qualidade de vida, segundo definição da Organização Mundial da Saúde (OMS). E se consideramos que a adoção de bons hábitos em relação à saúde gera grandes efeitos e impactos positivos no coletivo, não seria exagero considerar que o autocuidado é uma estratégia altamente eficaz na construção de um sistema de saúde sustentável.
Uma população com melhor qualidade de vida tem inúmeros reflexos sociais, políticos e econômicos em um país, e o autocuidado, como parte da estratégia de política pública de saúde, gera uma economia sustentável e desafoga os sistemas, geralmente sobrecarregados. É o que mostra levantamento realizado pela Associação Latino-Americana de Autocuidado Responsável (ILAR), que reuniu dados de cinco países - Brasil, México, Argentina, Colômbia e Chile. Por ano, em média, os cinco países gastam, juntos, US$ 2,7 bilhões de dólares anuais em consultas e procedimentos desnecessários na saúde pública. Caso a prática do autocuidado fosse difundida e implementada em seus programas para cuidar apenas de 50% dos casos de quatro doenças simples - diarreia, resfriado, lombalgia e candidíase vaginal -, a economia em seus sistemas públicos poderia ser de aproximadamente US$1,3 bilhão.


A pandemia escancarou quão complexos e profundos são os problemas enfrentados pelos sistemas de saúde, principalmente no Brasil. E evidenciou que a responsabilidade de melhorar a qualidade desses sistemas é uma responsabilidade de todos.
A estratégia do autocuidado está construída em sete pilares: a utilização de fontes confiáveis para acesso a informações sobre saúde; o autoconhecimento; a prática de atividade física; a adoção de alimentação saudável; a redução de hábitos ruins, como fumar e consumir bebida alcoólica em excesso; hábitos de higiene; e a correta utilização dos medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Sobre este último pilar, já contamos com estudos que comprovam o quanto ele corrobora com a sustentabilidade do sistema de saúde.


No Brasil, por exemplo, para cada R$ 1 gasto no balcão de drogarias com MIPs, outros R$ 7 são economizados nos sistemas de saúde. De forma geral, seu uso responsável é capaz de gerar uma economia de R$ 400 milhões ao sistema público de saúde, de acordo com um artigo publicado no Jornal Brasileiro de Economia e Saúde. Volumes relevantes que poderiam ser direcionados a outros cuidados mais complexos, como cirurgias de alta complexidade, tratamento de doenças crônicas ou à infraestrutura da saúde local.


Os MIPs são aprovados pelas autoridades sanitárias para tratar males e doenças menores, como dores de cabeça e resfriados. As orientações da bula e da rotulagem devem sempre ser seguidas e, se os sintomas persistirem, a suspensão do medicamento deve ser imediata e um médico deve ser procurado. 


A construção de uma sociedade mais saudável e que conte com sistemas de saúde mais eficientes é uma responsabilidade de todos. O autocuidado coloca o indivíduo no centro das decisões sobre sua saúde e qualidade de vida, deixando claro que o coletivo só funciona bem quando as decisões individuais são responsáveis e conscientes.


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