Ter planos para a retomada das atividades econômicas em plena pandemia do novo coronavírus não é de todo mal, mas desde que elaborados tendo por base conhecimentos das comunidades médica e científica. Não pode haver açodamento por parte dos governantes, sob o risco de prejuízos irreversíveis em termos de vidas humanas e da própria economia. Planejamento e diálogo têm de prevalecer entre todos os entes federativos para que se executem as decisões tomadas nos gabinetes. O país não pode se arriscar a flertar com a normalidade anterior à COVID-19, sem a máxima segurança.
Autoridades federais, estaduais e municipais estão apresentando medidas para a reabertura do comércio e das demais atividades econômicas que regem a cotidiano das pessoas. O governo federal prepara diretrizes para reduzir o isolamento social, ao mesmo tempo em que elabora um programa para a retomada do crescimento, quando passar a crise provocada pelo novo coronavírus. Governadores estão indo no mesmo caminho e alguns já anunciaram suas propostas para a reativação de setores comerciais e de serviços.
Sem entrar em maiores detalhes, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, defendeu o abrandamento da quarentena. Ele afirmou que não há incremento explosivo dos casos da COVID-19, o que justificaria o relaxamento do confinamento. Lembrou que se 70% da população brasileira tem de ter contato com a doença para que ela fique imune, no ritmo atual de contágio, isso levaria um ano e meio. Seria impossível o país sobreviver em sistema de isolamento social durante todo esse período. Por isso, na avaliação dele, a necessidade de se pensar na flexibilização da quarentena, mas nada de concreto foi apresentado. No entanto, adiantou que o trabalho do ministério será compartilhado com as administrações estaduais e municipais, um bom indicativo.
Alguns estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, se adiantaram e divulgaram planos de reativação das economias locais, com o compromisso de obediência à ciência e à medicina para saber quando, como e o motivo de se abrir determinado setor. O governo paulista marcou o dia 11 de maio para a reabertura gradual da atividade econômica, levando em conta as situações locais, regionais e setoriais. Mas retomada da economia com as devidas medidas de proteção.
Em Minas, a abertura ficará a cargo dos municípios. O governo prepara protocolo de flexibilização e a adesão dependerá de cada prefeito. Os negócios foram divididos em quatro tipos – essenciais, baixo, médio e alto risco – e serão reabertos de acordo com a realidade de cada cidade. A autorização poderá ser revogada caso haja o avanço da pandemia nas localidades. No Rio Grande do Sul, o mesmo modelo de reativação está em funcionamento, de acordo com determinados critérios e obedecendo à testagem da COVID-19 feita por universidades.
O que se espera é que os cuidados indispensáveis sejam tomados para que não haja uma explosão de novos casos. E que o sistema de saúde, onde houver a flexibilização, esteja apto a prestar socorro a todos os que contraírem o novo coronavírus. Saúde e economia não precisam brigar, como preconiza o ministro Teich, mas a vida está sempre em primeiro lugar.
