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Estado de Minas EDITORIAL

O colapso de Manaus acende a luz vermelha


postado em 23/04/2020 04:00

A omissão, fruto da indiferença, ignorância ou irresponsabilidade, é o tema de um dos mais conhecidos textos de Bertolt Brecht. O dramaturgo alemão escreveu um poema que apresenta uma série de violências cometidas contra outros. E, por serem outros, estavam distantes da reação dos que se consideravam protegidos.

Resultado: negros, operários, miseráveis, desempregados se sucediam na fila das vítimas da tirania. Mas, abandonados à própria sorte, não mereceram compaixão nem resposta. Até que ocorreu o mesmo com o narrador. Quando chegou a vez dele, ninguém se importou.

O tratamento da pandemia no Brasil segue enredo semelhante. Aconteceu na China. Mas a China fica do outro lado do mundo. Não tem nada a ver com o Brasil. Aconteceu na Europa. Mas o Velho Continente está aquém-Atlântico. Não tem nada a ver com o Brasil.

Faltam profissionais, faltam leitos, faltam UTIs, faltam respiradores, faltam covas


Aconteceu em Nova York e Guaiaquil. Mas as duas cidades estão distantes das fronteiras do país. Não têm nada a ver com o Brasil. Aconteceu em Manaus. A capital do Amazonas fica em território nacional. Tem tudo a ver com o Brasil.

O horror decorrente do colapso do sistema de saúde manauara torna concreto o alerta que vem sendo acionado desde o começo do ano, quando se agravou a situação de Wuhan, terra natal do coronavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS), cientistas e profissionais da área insistem na necessidade de controlar a propagação do vírus.

Sem freios, ele se espalha exponencial e democraticamente. Nenhum país, como mostra a experiência internacional, tem capacidade de responder à sanha avassaladora do Sars-Cov-2. A capital do Amazonas protagoniza a primeira falência do sistema de saúde no Brasil.

Faltam profissionais, faltam leitos, faltam UTIs, faltam respiradores, faltam covas. Caminhões frigoríficos estacionam diante dos hospitais para abrigar corpos. Muitos enfermos, sem encontrar vaga nos locais de atendimento, voltam para casa desassistidos. E, não raro, desperdiçam-se vidas que poderiam ser poupadas.

Sem vacina e sem antivirótico eficaz, a única arma de que se dispõe para administrar a pandemia é o isolamento social, cujo custo é alto, mas evita mortes por atacado. Governadores se mobilizam para a volta da rotina normal. É importante que o façam com responsabilidade. Decisões precipitadas ou movidas por interesses alheios ao bem comum serão contabilizadas em número de cadáveres.


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