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Por uma educação criativa

Sem formação adequada, o indivíduo não consegue atender de maneira eficaz às demandas da sociedade, ainda mais com as suas características atuais: volátil, incerta, complexa e ambígua


postado em 03/03/2020 04:00

O que leva jovens da rede pública ao abandono escolar? Por que há tantos gestores e pais de alunos na rede privada preocupados com a apatia em sala de aula? Quais as consequências disso na vida futura de tais estudantes? E para o nosso país?
 
A maioria dos alunos de certas regiões do Brasil ainda hoje abandona a escola pública antes de completar o ensino médio. Conforme dados do Atlas Brasil, 97% das crianças entre 5 e 6 anos frequentam escolas, mas o índice de evasão é bastante alto: 50% dos jovens não concluem o ensino médio.
 
Vários fatores contribuem para essa realidade e talvez a necessidade de trabalhar seja a primeira delas. A ausência de motivação é outro agravante. E é essa que também impede nosso trabalhador de produzir com qualidade. A baixa produtividade das empresas brasileiras está diretamente ligada ao analfabetismo funcional e à ausência de formação do trabalhador brasileiro em competências capazes de atender às demandas do mundo contemporâneo. Tanto no ambiente escolar como no ambiente do trabalho é necessário um contexto que inspire o desenvolvimento do pensamento, da aprendizagem e, consequentemente, o alcance de resultados.
 
Por isso, a minha percepção é que estabelecimentos de ensino deveriam oportunizar aos estudantes situações que desenvolvam competências cognitivas e socioemocionais, visando à inserção no mundo do trabalho de maneira satisfatória. Sem formação adequada, o indivíduo não consegue atender de maneira eficaz às demandas da sociedade, ainda mais com as suas características atuais: volátil, incerta, complexa e ambígua. Muitos trabalhadores não possuem além do conhecimento técnico. Dessa forma, competências como criatividade, comunicação, pensamento crítico, empatia, entre outras tão necessárias às organizações e ao país, a fim de promover o progresso amplo e sustentável, ficam a desejar, o que é alarmante.
 
Quem de nós, na atualidade, não se preocupa com o Brasil de amanhã? É fato que o país está dividido. Os embates durante a campanha presidencial de 2018 mostraram isso. Ainda hoje, brasileiros ocupam as redes sociais e outros espaços para acentuar as diferenças uns dos outros. Porém, todos nós brasileiros temos algo em comum: a preocupação com os rumos do nosso país. Afinal, é nele que pretendemos desenvolver carreiras profissionais, empreender negócios, construir ou reforçar os alicerces da nossa vida.
 
A incerteza é grande, visto que já vimos milagres que trouxeram momentaneamente melhorias na qualidade de vida em nosso país para, na sequência, vivenciar um quadro de estagnação e, muitas vezes, de retrocesso econômico e social. O que o nosso país precisa fazer para trazer para o presente o tão falado “Brasil do futuro”? É indiscutível a relação da educação com o projeto de país.
Nas últimas décadas, houve avanço nessa área, a exemplo da ampliação do acesso ao ensino básico. Mas, para impactar positivamente a vida de pessoas através da educação – e proporcionar melhorias na sociedade como um todo –, ainda temos um longo caminho a percorrer.
 
Com a economia fragilizada, muitos gestores educacionais – tanto da rede pública como privada – padecem da escassez de recursos financeiros, razão pela qual desacreditam na implantação de projetos educacionais inovadores.
 
Na minha visão, a educação brasileira precisa, em um primeiro momento, passar por uma regeneração. A mudança nascerá a partir do potencial existente dentro da própria escola. Há que, antes de tudo, direcionar o olhar sobre os seus recursos físicos e humanos, unir forças internas, otimizar experiências vitoriosas e apossar-se, especialmente, do principal pilar da economia criativa: o capital intelectual. Por isso, defendo um modelo de escola baseado em algo que o brasileiro tem em abundância: criatividade. É preciso escutar professores e, sobretudo, os alunos. É hora de os gestores executarem a chuva de ideias ou, como dizemos nós mineiros, o toró de palpites.


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