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Estado de Minas

Geração Y e a inovação

Além da interação constante, há a mobilização que essa geração tem para com as ações sociais, do meio ambiente e de sustentabilidade


postado em 24/08/2019 04:00


Dulce de Almeida Torres
Graduada em letras/inglês, tem mestrado internacional em ciências da educação e é pós-graduada em metodologia do ensino superior, em educação a distância e em ciências da educação 
 
 
 
 
Você é jovem, tem entre 18 e 33 anos, tem espírito inovador e capacidade investigativa, cultiva novas formas de relacionamento, comunicação e aprendizado, domina informática, aprecia a autonomia e consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo? Tudo indica que seu perfil se enquadra no que os sociólogos chamam de geração Y, os jovens nascidos entre 1980 e 1995, uma legião que só no Brasil já conta com 55 milhões de mentes inquietas, que têm como uma das principais características o fato de estar totalmente inseridas no contexto das transformações sociais e tecnológicas que levaram à popularização da internet.

Essa geração acostumada ao "tempo real", que vive conectada ao mundo em redes da alta velocidade; que convive diariamente com a superexposição; que inventou a selfie; e que oscila do ciberativismo à "gameficação" da vida, dos múltiplos relacionamentos virtuais ao individualismo narcísico, é um fenômeno que ainda não está totalmente compreendido.  São jovens conhecidos por ser extremamente ansiosos, com sentimento de autoestima fortemente elevado, e por terem presenciado o surgimento do mundo digital por meio dos tablets, smartphones, aplicativos e redes sociais. Estão sempre ligados ao celular.

Todas as formas de interação e de comunicação são feitas por meio desses dispositivos, mas um contato on-line apenas não lhes é suficiente e executam várias coisas ao mesmo tempo, dada a sua facilidade, versatilidade e familiaridade com essas ferramentas. São acostumados à rapidez e velocidade na chegada das informações. São bastante exigentes nesse quesito, pois estão acostumados a ter essas informações em mãos, já que solicitadas com o simples clicar de um botão. Afinal, foi assim que a sua vida começou.

Tudo se complica ou, como dizem eles, "a parada fica sinistra" quando os Y, os autênticos nativos digitais, invadem o mercado de trabalho em busca de um lugar ao sol, de uma colocação profissional, pois terão que conviver com seu oposto, a geração X (pessoas nascidas na década de 60) e que pensam completamente diferente. Os Y desejam, sim, trabalhar por prazer. E não é só isso... Gostam de trabalhar de uma maneira menos formal, com jornadas flexíveis que lhes permitam não apenas trabalhar das 8h às 18h, mas preocupar-se em saber o que produzirão nesse horário. O que importa é fazer aquilo que gostam, é a realização pessoal. Se não houver essa realização, para eles "não rola", ou seja, não vale o investimento na profissão. Projetos são seu foco e a criatividade a sua mola propulsora. São jovens cujo comportamento e objetivos alteraram, de forma veemente, os costumes e os modelos de gestão tradicional até então arraigados às empresas. Por esse e outros motivos, tais como dificuldade em obedecer a hierarquias, por exemplo, criam conflitos e constrangimentos dentro de empresas que ainda não se adaptaram a essa nova geração de profissionais que assim age porque lhes parece uma atitude normal e correta.  Digamos que, na sua visão, estão "mandando bem".

Para Don Tapscott, estudioso da geração Y, essa geração tem algumas características interessantes e, por que não dizer, inéditas até aqui. Por exemplo: seu critério de julgamento é a "consciência", e não a "obediência". Subordina-se a "vínculos", e não a "cargos". Gosta de ter autonomia, gosta de receber feedback a cada trabalho, e é movida a elogios e reconhecimento. Não é orientada por "fins", mas, sim, por "meios". Desafios e promoções são os seus objetivos. Mas o que acontece quando um Y descobre que o mercado de trabalho é pouco atraente, tanto pela disponibilidade de vagas quanto pelo tipo de trabalho maçante que é ofertado? Nesse momento, na sua linguagem, "a chapa esquenta". E o que fazer então? Certamente, será partir em busca de outras paragens que venham ao encontro de suas expectativas.

Apesar de costumeiramente chamados de prepotentes e individualistas, os jovens da geração Y procuram sempre relacionar-se e interagir com pessoas de todos os lugares do mundo. Além dessa interação constante, há a mobilização que essa geração tem para com as ações sociais, do meio ambiente e de sustentabilidade. Até hoje, nunca uma geração interessou-se tanto nessas questões, engajando-se nestes movimentos com todo o vigor de sua juventude. Fica provado, então, através dessas constatações, que o futuro não terá caráter individualista, mas, sim, um caráter colaborativo.



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