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Estado de Minas

Acupuntura aplicada na oncologia


postado em 10/08/2019 04:00


Dinamara Kran Rocha
Médica especializada em acupunturiatria  e membro da diretoria do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA)

A acupuntura é um conhecimento de origem milenar que se desenvolveu empiricamente e, com o passar do tempo, sobretudo nos últimos 50 anos, tem tido seus efeitos estudados e comprovados à luz da metodologia científica contemporânea. A acupunturiatria é a especialidade médica que se dedica ao estudo e pesquisa dos conhecimentos acerca das redes do sistema nervoso e miofascial, redes metabólicas e redes genômicas, e que conduz a especial manejo clínico dos pacientes. Sua atuação se dá por meio de procedimentos, sobretudo invasivos, com estímulos geralmente feitos por meio de agulhas em regiões do sistema nervoso periférico, cujas informações serão processadas pelo sistema nervoso central (SNC) e desencadearão respostas complexas que proporcionam normalização das funções orgânicas. Assim, a acupuntura configura-se como a denominação de um determinado procedimento terapêutico característico, e acupunturiatria define a especialidade médica.

A intervenção da acupuntura não é inócua e totalmente livre de riscos e, justamente por isso, é considerada uma modalidade de tratamento em medicina intervencionista e que tem indicações, contraindicações e potenciais efeitos adversos. É importante saber que para determinadas situações ela pode ser indicada eficazmente como tratamento isolado; na maioria das vezes, é indicada como tratamento adicional (adjuvante e/ou neoadjuvante); e, em outras situações, ela simplesmente não está indicada ou até mesmo está contraindicada.

No caso de pacientes oncológicos, a intervenção por acupuntura está indicada como tratamento complementar ao tratamento convencional e jamais como tratamento isolado ou em substituição ao tratamento instituído. Nesses pacientes, o mais grave e danoso é a falta de diagnóstico clínico nosológico, o que compromete, seriamente, a vida e a sobrevida do paciente, já que isso implicaria atraso do tratamento oncológico específico e adequado. Por isso, é importante que seja feita uma correta avaliação médica, com definição do diagnóstico clínico-nosológico, estadiamento e prognóstico.

A variedade dos tipos de câncer e suas particularidades, a grande quantidade de opções de tratamento e, consequentemente, os resultados e efeitos colaterais fazem com que a intervenção por acupuntura em pacientes portadores de neoplasia maligna seja um desafio maior do que em pacientes sem câncer. O médico acupunturiatra que lida com pacientes oncológicos deve estar atento à doença de base, o tipo de câncer, estadiamento e possíveis locais de metástases, sempre objetivando avaliar a evolução da doença e evitar o agulhamento no local do tumor. A acupuntura no local do tumor está totalmente contraindicada devido ao risco de aumento do fluxo sanguíneo local e aumento da funcionalidade tecidual da região, acarretando, consequentemente, a nutrição do tumor e progressão da doença, culminando com a piora da condição clínica do paciente.

 As principais condições que acometem os pacientes oncológicos e que são abordadas através da intervenção por acupuntura são: dor oncológica e dor crônica, náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, dor nas articulações secundária ao uso de hormonioterapia, síndrome vasomotora/fogachos, xerostomia (secura na boca), disfunções no sistema imunológico, constipação e transtornos emocionais como ansiedade e depressão.

Embora a acupunturiatria oncológica seja uma subespecialidade emergente e relativamente nova, pesquisas recentes encontraram evidências promissoras de seu papel no manejo de vários sintomas, principalmente quando as opções de tratamento existentes permanecem um desafio.

Por fim, é conveniente ressaltar que a prática da acupuntura só pode ser feita por profissionais da medicina, da medicina veterinária e odontologia – cada um em seu campo de atuação, também definido por lei. A aplicação da acupuntura por qualquer outro profissional é ilegal e pode causar sérios danos à saúde do paciente.


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