Publicidade

Estado de Minas

Corrida espacial

A exploração espacial nos ensinou que a Terra é pequena, frágil e muito distante de qualquer outro possível hábitat


postado em 05/08/2019 04:05




Em 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong entrou para a história ao se tornar o primeiro homem a pisar em solo lunar, dando um "gigantesco salto para a humanidade".

A alunissagem da missão tripulada Apollo 11 projetou a imagem de que tudo era possível em um mundo que se tornava tecnologicamente avançado. Além disso, a corrida espacial se processava no contexto da Guerra Fria e a viagem à Lua representava a vitória do capitalismo sobre o comunismo soviético. Porém, do ponto de vista científico, se o dinheiro e os esforços investidos na missão tivessem sido direcionados para sondas automatizadas, teríamos obtido muito mais conhecimento sobre o nosso satélite natural do que o obtido pelas pequenas quantidades de rochas trazidas pelos astronautas. Mas é muito provável que um programa para exploração do espaço exclusivamente por meios não tripulados não conseguisse grande apoio popular, muito menos financiamento.

Nos três anos seguintes após o inédito feito, mais 10 pessoas, em cinco missões diferentes, tiveram a oportunidade de visitar a Lua, até que o interesse do público, rapidamente, diminuiu, e, com isso, o orçamento do governo americano dedicado à Nasa (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) também foi reduzido, inviabilizando a continuação do programa de missões espaciais tripuladas e acarretando na priorização de programas de exploração e ocupação orbitais, como os ônibus espaciais e as estações espaciais Skylab e ISS (estação espacial internacional).

Como a estação espacial internacional (ISS) contribuiu para a ciência? Ela oferece um ambiente único de microgravidade, permitindo a melhoria da qualidade de experimentos que envolvem cristalização de proteínas, crescimento de células e tecidos, reações químicas ou processos bioquímicos. Um exemplo disso é o experimento MEK (efeito da microgravidade na cinética das enzimas lipase e invertase), realizado pela FEI em 2006 a bordo da ISS.

Além disso, a ISS proporciona condições ideais para experimentos sobre a capacidade de adaptação humana ao espaço. Esses experimentos, que analisam as mudanças fisiológicas em nosso corpo submetido à microgravidade e a um ambiente com mais radiação espacial do que o encontrado na superfície da Terra, também estudam o ecossistema que seria necessário para uma viagem espacial de longa duração.

Em uma viagem espacial curta, é possível embarcar todos os alimentos necessários, mas em uma missão longa seria necessário realizar agricultura a bordo da espaçonave e, portanto, é preciso saber como plantas e outros organismos se desenvolvem neste tipo de ambiente e quais medidas devem ser tomadas para garantir as condições de saúde da tripulação.

Tecnologias espaciais são adaptadas para uso na Terra. Há um fluxo constante de tecnologias espaciais na Terra. Por exemplo, as técnicas que permitem a operação de braços robóticos no espaço (os mais conhecidos são os braços robóticos do deque de cargas dos ônibus espaciais) são as mesmas que permitiram que robôs fossem utilizados na realização de cirurgias. Algumas invenções têm conexão mais evidente com o espaço, como sistemas de localização e de navegação (GPS), mas há, também, tecnologias mais surpreendentes, usadas para detecção e combate a incêndios ou para tratamento de águas servidas e outros resíduos. Essas tecnologias foram testadas na ISS nos últimos 10 anos e podem encontrar uso na Terra em breve.

Devemos nos preparar para viver em outro planeta? A exploração espacial nos ensinou que a Terra é pequena, frágil e muito distante de qualquer outro possível hábitat, por isso, estamos muito longe de ter chances reais de iniciar a colonização de outro planeta. Ao contrário das grandes navegações europeias do século 15, em que as naves podiam percorrer oceanos desconhecidos, mas que ainda pertenciam a um ambiente propício à vida, precisaríamos criar todo um ecossistema autossuficiente em outro planeta ou, até mesmo, dentro da espaçonave, se o local a ser colonizado fosse exterior ao Sistema Solar. Neste caso, apenas a viagem poderia demorar centenas de gerações.

Portanto, em vez de empregar recursos, esforços e talentos para encontrar meios de sair da Terra e destruir algum outro planeta, deveríamos utilizá-los para reduzir o dano que causamos ao nosso lar, garantindo que a vida na Terra seja possível a longo prazo.



Publicidade