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A arte dos cuidados paliativos


postado em 08/01/2019 05:05


A máxima “acrescentar mais vida aos seus dias e não só mais dias à sua vida” ilustra bem a proposta dos cuidados paliativos. Essa abordagem de assistência busca oferecer cuidado humanizado e amplo para pessoas portadoras de doenças graves e ameaçadoras da vida. Essa prática, mundialmente consolidada e oferecida como pilar de qualidade, teve sua importância reconhecida e legitimada pelo Ministério da Saúde, por meio de resolução da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), publicada no Diário Oficial da União em novembro. O documento pontua a necessidade da adoção dos cuidados paliativos (CPs) no Sistema Único de Saúde (SUS) e traça diretrizes para o desenvolvimento da área nos três níveis de decisão: municipal, estadual e federal.

Na saúde suplementar, ainda não há regulamentação oficial para a área de atuação, apesar de já ser disponível em alguns cenários do setor privado. No entanto, segundo estudo publicado pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), a oferta de cuidado paliativo no país ainda é insuficiente para atender à crescente demanda. Para melhorar esse cenário é preciso investir na formação de profissionais de saúde para que sejam capazes de lidar com o sofrimento dos pacientes e que busquem prioritariamente a melhoria da sua qualidade de vida.

O profissional paliativista precisa de qualificação técnica e conhecimentos específicos, tem que ter empatia, ter disponibilidade para acompanhar – com dedicação e comprometimento – paciente e família durante a trajetória da doença, ser catalisador de ações que possibilitem a ressignificação da vida, atuando em equipe multidisciplinar, pautado por humanidade e compaixão. A função é complexa e exige treinamento aprofundado.

É fundamental ter habilidade para se comunicar de forma clara e sensível diante de circunstâncias altamente estressantes e difíceis, sabendo manejar eventuais conflitos e facilitando a tomada de decisões relativas ao fim de vida. Além disso, os pacientes enfrentam não só a dor física e as limitações impostas pela doença, mas também problemas psicológicos, espirituais e sociais. Por isso, os cuidados paliativos são de responsabilidade não apenas do médico paliativista e precisam envolver enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, dentistas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, dentre outros.

Os profissionais paliativistas têm seu foco no alívio de sintomas desconfortáveis e no máximo bem-estar possível. O objetivo é zelar pela dignidade do indivíduo que se encontra vulnerável pela doença, com respeito à sua autonomia. As prioridades são definidas pelos pacientes, de acordo com suas crenças e valores pessoais, e as decisões são compartilhadas de modo honesto e claro. Na visão do médico espanhol Marcos Gómez Sancho, “os paliativistas são os obstetras da alma”. É cada vez maior o número de profissionais de saúde interessados no tema.

Cuidado paliativo é sinônimo de alívio do sofrimento, tanto do paciente quanto da família, que se estende aos amigos próximos. Esse cuidado é necessário, urgente e imprescindível para todos aqueles que vivem com doenças crônicas e debilitantes. Durante todo o percurso, até o fim.


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