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Ano de Copa do Mundo: você leu certo


postado em 05/03/2019 05:06

O ano de 2019 é de Copa do Mundo de Futebol e, infelizmente, acredito que pouca gente saiba disso. A razão é muito simples: é ano de Copa do Mundo de Futebol feminino. Será a oitava edição do torneio. Ou melhor, a nona, se contarmos a edição experimental de 1988, na China.

E acreditem, o futebol feminino do Brasil, apesar de não ter tido os mesmos resultados do masculino, é top 10 do mundo. Isso acontece, mesmo com todo o preconceito contra a modalidade e a inacreditável falta de apoio que ainda existe em nosso país. Inacreditável, especialmente porque o que não falta é talento.

E a maior prova desse talento é que não só o rei, mas também a rainha do futebol é brasileira: Marta Vieira da Silva. A única atleta a ganhar o prêmio de melhor do mundo seis vezes. Nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Marta. E que, como a grande maioria das meninas, se não todas, que amam o esporte bretão, também passou por preconceito, falta de oportunidades e dificuldades.

Mas, diferentemente da maioria, não desistiu e seguiu em frente. Hoje, aos 32 anos, colhe os frutos de uma carreira consolidada e muito bem-sucedida, tendo jogado no Brasil, na Suécia e nos Estados Unidos. Uma glória que deve ser respeitada. Ou melhor, reverenciada, porque só ela sabe tudo pelo que precisou passar para chegar aonde chegou.

Mas é uma pena que ela seja apenas uma de muitas que poderiam ter ido mais longe, se não fosse, primeiramente, esse preconceito absurdo. Um preconceito que já foi lei, quando, em 1941, Getúlio Vargas proibiu que as mulheres praticassem “desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”, incluindo o futebol, e que só foi revogada em 1979. Um preconceito, às vezes, claro e escancarado, como a lei mencionada, ou por vezes velado, como o pai que fala que a filha tem que ser bailarina e que futebol é para homem.

Aliás, “futebol é para homem” talvez seja uma das frases mais absurdas das muitas usadas. Que digam isso às quase 1.600.000 meninas com menos de 19 anos que jogam futebol nos Estados Unidos, país com três títulos mundiais e quatro medalhas de ouro olímpicas no futebol feminino. Garanto que as americanas e seus pais darão gargalhadas. A questão é simplesmente cultural.

Enquanto nos Estados Unidos o futebol é o primeiro esporte de escolha das garotas americanas, aqui, no Brasil, é, com certeza, o mais rechaçado pelos pais, na maioria dos casos. Tem que ter muita força de vontade e amor à modalidade para continuar jogando. Por isso dizemos que é uma pena. Porque sabemos que não são poucas as meninas talentosas que amam o esporte. Sempre veremos aquela menina de 10 anos com muito talento jogando com os meninos. Mas poucas continuarão na árdua batalha de lutar contra o preconceito e a falta de oportunidade. Falta de oportunidade exemplificada pelo baixíssimo número de programas de futebol exclusivos para as mulheres. O mais comum é vermos uma menina, ou no máximo duas, nas inúmeras “escolinhas para meninos” espalhadas pelo país.

Os mais otimistas dirão que isso vai mudar a partir deste ano. Afinal, a Fifa, a Conmebol e até mesmo a CBF estão engajadas na tarefa de impulsionar o futebol feminino. Afinal, foi com apoio da Fifa que a Conmebol determinou que o clube que quiser disputar competições da entidade, este ano, terá que ter uma primeira equipe feminina ou se associar a um clube que tenha o time. Além do mais, deverá ter pelo menos uma categoria juvenil feminina ou se associar a um clube que cumpra a regra.

E a CBF também apoiou a iniciativa e exigirá que os 20 clubes da Série A de 2019 sigam as mesmas regras. Teoricamente, mais oportunidades serão criadas. Os mais céticos dirão que isso não acontecerá, pois esses clubes buscarão o caminho mais fácil, que é a parceria com projetos já existentes. Nós, os aficionados pela modalidade, seguimos com a esperança de que um dia ela receberá o apoio, o incentivo, a atenção e o carinho que o futebol feminino merece!

 

 


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