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Com a bênção da elite global

A boa notícia é que os donos do dinheiro estão dispostos a dar um voto de confiança ao Brasil


postado em 20/01/2019 05:08

O presidente Jair Bolsonaro terá uma grande oportunidade de alavancar sua imagem como líder global ao fazer sua estreia, nesta semana, no Fórum Econômico Mundial, encontro que reúne, em Davos, na Suíça, a elite econômica do mundo. A expectativa é grande em relação ao que o chefe do Executivo brasileiro dirá, sobretudo diante da polêmica criada em torno de sua eleição. Há o temor de retrocessos no país, sobretudo em relação às minorias e às questões ambientais.

Além de reforçar seu compromisso com a democracia, Bolsonaro mostrará que o Brasil, durante o seu governo, se tornará um grande polo para investimentos. O presidente se comprometerá com uma rápida aprovação da reforma da Previdência Social. Apresentará um grande programa de concessões e privatizações, que resultará em um significativo enxugamento do Estado. Um discurso que soa como música aos ouvidos dos investidores.

Bolsonaro também dirá que o Brasil fará uma reforma na estrutura de impostos, de forma a tornar a economia mais eficiente e competitiva. Por tabela, promoverá uma ampla abertura comercial. A promessa é incentivar aqueles que desejam empreender, criar empregos e gerar renda. O Brasil enfrentou, entre 2014 e 2016, uma das mais severas recessões da história, que desempregou mais de 12 milhões de pessoas e aumentou a pobreza.

Acompanhado dos dois mais importantes ministros do governo, Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça e Segurança), o presidente pretende restabelecer o lugar que o Brasil perdeu nos grandes fóruns mundiais. Entre as 10 maiores economias do planeta, o país deixou de ser ouvido nos principais centros de decisão, viu sua relevância diminuir na carteira dos principais investidores. Pior: sua participação no comércio global estagnou em insignificante 1,2% do total.

Mais do que um bom discurso, Bolsonaro terá que passar confiança. O capital está escaldado com o país. O Brasil despontou, no governo Lula, como um forte candidato a integrar a elite do mundo. Tornou-se referência na questão social, ao incorporar, em curto espaço de tempo, mais de 50 milhões de pessoas — quase uma Espanha — no mercado de consumo. Decisões equivocadas na gestão de Dilma Rousseff e a explosão do maior caso de corrupção da história, desvendado pela Operação Lava-Jato, abortaram esse movimento. O Brasil foi escanteado.

A boa notícia é que os donos do dinheiro estão dispostos a dar um voto de confiança ao Brasil. Isso pode ser medido pelo surpreendente comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo, na qual o capital estrangeiro tem peso expressivo. Apenas nas três primeiras semanas do ano, o pregão paulista subiu quase 10%, cravando um recorde atrás do outro. Nada disso se sustentará, porém, se o país não conseguir provar que é uma nação séria, que respeita contratos, preserva o meio ambiente, não se deixa dominar pela ideologia e está aberta ao diálogo. Davos tem tudo para mudar Bolsonaro e o país de patamar.


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