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Estado de Minas

Economia circular muda o consumo

Os consumidores estão cada vez mais abertos a mudanças


postado em 10/11/2018 05:06


Você também já se pegou questionando não ter uma roupa ideal ao abrir um armário lotado? E qual a solução aparentemente mais simples? Ir às compras, claro. Costumamos comprar roupas que usamos poucas vezes e depois elas ficam lá, para preencher um local que contém muito mais do que realmente precisamos. Porém, em vários países, isso já está mudando.

Segundo dados da Ellen MacArthur Foundation, o correspondente à carga de um caminhão de roupas é perdido a cada segundo no mundo e menos de 1% dos materiais utilizados na produção são reciclados. Entretanto, em uma avaliação geral, deve-se levar em conta não apenas os poluentes óbvios, mas também o uso e vida útil de cada peça.

É aí que entra a economia circular. Essa alternativa à economia tradicional vem ganhando cada vez mais espaço e traz benefícios ao meio ambiente. Um dos principais questionamentos é a irrelevância da propriedade. Pense em Uber, Spotify, AirBnB... E claro, essa discussão chegou ao mundo da moda, fazendo com que as roupas se adequem ao mesmo conceito, através do compartilhamento. Isso faz com que um vestido, por exemplo, circule e seja usado em seu mais alto grau de utilidade.

Já existem bons cases que comprovam o sucesso dessa iniciativa. A Rent the Runway, criada por duas alunas de Harvard, em 2008, começou com o serviço de aluguel de vestidos e acessórios exclusivamente on-line. O investimento deu tão certo que a empresa já conta com sete lojas físicas, onde as pessoas podem provar peças, receber dicas de styling, escolher acessórios e comprar sapatos. Hoje, a empresa tem um catálogo com mais de 50.000 itens. E o negócio já levantou mais de US$ 50 milhões em investimentos.

Outro exemplo de negócio sustentável é a marca alemã Kilenda, que oferece o serviço de aluguel on-line, exclusivamente para roupas e acessórios de maternidade e infantis, um dos setores que mais desperdiçam na indústria têxtil. No site, os clientes selecionam a mercadoria, a utilizam por determinado tempo, devolvem, substituindo-a por outras de tamanhos maiores.

Com seu modelo de negócio, a Kilenda contribui, comprovadamente, para uma economia mais circular. Ao alugar roupas infantis, eles levaram sua abordagem sustentável para o top 3 na categoria “Estilo de vida” no GreenTec Awards 2018 (prêmio ambiental internacional da Alemanha).

Esse tipo de negócio, segundo um estudo da Agência de Eficiência de Recursos do Reino Unido, tem reduzido o uso de material e as emissões de dióxido de carbono e proporcionado à roupa uma vida útil mais longa.

Por fim, vale ressaltar que é perceptível que os consumidores estão cada vez mais abertos a mudanças e a locação poderia ajudar a alcançar uma indústria mais sustentável. O aluguel de roupas tem o potencial de reduzir o desperdício e aumentar a vida útil das peças de vestuário. Para atingir tal objetivo, é necessária mudança sistêmica na prática comercial e no comportamento do consumidor.



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