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Estado de Minas PANDEMIA

COVID-19: Fiocruz alerta para cenário de alto risco em 11 estados e DF

Segundo o estudo, a situação predominante é de descontrole da pandemia


09/06/2021 18:01 - atualizado 09/06/2021 18:30

Fiocruz alerta para a alta taxa de ocupação das UTIs para pacientes com COVID-19(foto: Eduardo Valente/Shoot/Estadão Conteúdo)
Fiocruz alerta para a alta taxa de ocupação das UTIs para pacientes com COVID-19 (foto: Eduardo Valente/Shoot/Estadão Conteúdo)
Boletim do Observatório COVID-19 Fiocruz, divulgado nesta quarta-feira (9/6), alerta que o cenário atual da pandemia é de alto risco, exigindo muita atenção e prudência. A análise mostra que as pequenas oscilações no número de casos nas últimas semanas demonstram a permanência de elevado nível de transmissão do vírus. Onze estados e o Distrito Federal têm taxas de ocupação de UTI iguais ou superiores a 90%
 

Os estados são: Tocantins, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás. Os pesquisadores chamam atenção sobre a necessidade de se combinar medidas para enfrentamento da pandemia nas próximas semanas, até que a maior parte da população esteja vacinada.

Segundo o estudo, a combinação do número alto de casos com uma ligeira queda no número de mortes e a maior parte dos estados com alta taxa de ocupação de leitos UTI COVID-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) é muito preocupante. “Ainda é prematuro considerar que há uma queda sustentável de casos e mortes ou que estamos entrando em uma terceira onda”, observam.

“Em alguns estados e no Distrito Federal, é possível que venha ocorrendo gerenciamento da disponibilização e bloqueio de leitos de UTI, com a manutenção do indicador em patamar elevado. Entretanto, a situação predominante é, indubitavelmente, de descontrole da pandemia”, diz o estudo.

Medidas de mitigação


Enquanto a maior parte da população não está vacinada, os pesquisadores afirmam que devem ser incorporadas algumas ações fundamentais às medidas de enfrentamento. 

Segundo a Fiocruz, o lockdown, uma medida considerada mais forte, deve ser adotado para os estados e municípios com taxas de ocupação de leitos UTI COVID-19 de 85% ou mais.

“É muito importante a utilização de medidas não-farmacológicas, que têm como objetivo reduzir a propagação do vírus e o contínuo crescimento de casos, o que sobrecarrega as capacidades para o atendimento de casos críticos e graves e contribui para o crescimento de óbitos; medidas relacionadas ao sistema de saúde, que visam aliviar a sobrecarga dos serviços e também reduzir a mortalidade hospitalar por COVID-19, por desassistência e por outras doenças, bem como garantir o suprimento de insumos fundamentais para o atendimento; às políticas e ações sociais, cujo objetivo é mitigar os impactos sociais e sanitários da pandemia, principalmente para as populações e grupos mais vulneráveis”.

Taxas de ocupação de leitos


Os dados levantados nos dias 31 de maio e 7 de junho sinalizam que as taxas de ocupação de leitos de UTI COVID-19 para adultos no SUS se mantêm em relativa estabilidade, em níveis muito elevados

As poucas quedas mais significativas do indicador aconteceram em Rondônia (de 72% para 62%), Espírito Santo (de 76% para 68%) e Mato Grosso (de 95% para 87%). Além disso, os dois primeiros estados se mantêm na zona de alerta intermediário e o último na zona de alerta crítico.
 
(foto: Fiocruz/Reprodução )
(foto: Fiocruz/Reprodução )
 

Em contrapartida, houve aumento do indicador mais expressivo em Roraima, que volta à zona de alerta crítico, muito possivelmente pela redução dos leitos de UTI disponíveis – originalmente eram 90, há algumas semanas passaram a 60 e na última semana caíram para 54.
 
Já o Maranhão, se mantém na zona de alerta crítico, com o indicador saindo de 83% para 90%. Todos os estados das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste permanecem com taxas iguais ou superiores a 80% e, no Sudeste, a única exceção é o Espírito Santo.

No Norte, o Acre se mantém como único estado fora da zona crítica e Tocantins se junta à Roraima na zona de alerta crítico, refletindo, no entanto, uma piora na dinâmica da pandemia. No Distrito Federal, continua chamando a atenção a quantidade de leitos bloqueados, embora a taxa de ocupação esteja elevada

Onze estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação iguais ou superiores a 90%

  • Tocantins (94%), 
  • Maranhão (90%), 
  • Ceará (93%), 
  • Rio Grande do Norte (94%), 
  • Pernambuco (97%), 
  • Alagoas (91%), 
  • Sergipe (99%), 
  • Paraná (96%), 
  • Santa Catarina (97%), 
  • Mato Grosso do Sul (107%), 
  • Goiás (90%) 
  • Distrito Federal (90%). 

Nove estados apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI COVID-19 para adultos entre 80% e 89%

  • Roraima (87%), 
  • Piauí (88%), 
  • Paraíba (80%), 
  • Bahia (84%), 
  • Minas Gerais (82%), 
  • Rio de Janeiro (81%), 
  • São Paulo (82%), 
  • Rio Grande do Sul (84%) 
  • Mato Grosso (87%). 

Cinco estados estão na zona de alerta intermediário entre 60% e 80%

  • Rondônia (62%), 
  • Amazonas (61%), 
  • Pará (78%), 
  • Amapá (68%) 
  • Espírito Santo (68%)

O único que está fora da zona de alerta é o Acre, com 41%.  

As taxas de ocupação de leitos de UTI COVID-19 para adultos no SUS observadas no dia 7 de junho apontam para a persistência de quadro grave de sobrecarga no sistema de saúde pela COVID-19. 

Com a vacinação dos idosos e maior exposição de adultos jovens, tem havido uma mudança no perfil de idade dos pacientes internados, que talvez estejam tendo mais tempo de permanência hospitalar, de acordo com o estudo. 
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor João Renato Faria


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