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Estado de Minas COVID-19

Pacientes que receberam nebulização com hidroxicloroquina morrem no RS

Foram três óbitos confirmados pelo Hospital Nossa Senhora Aparecida, no Rio Grande do Sul. Médica responsável pelo procedimento foi denunciada pela instituição


25/03/2021 09:07 - atualizado 25/03/2021 14:41

(foto: Hospital Nossa Senhora Aparecida/Divulgação)
(foto: Hospital Nossa Senhora Aparecida/Divulgação)

Nessa quarta-feira (24/3), o Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, no Rio Grande do Sul, confirmou o óbito de três pacientes internados com COVID-19 após serem nebulizados com uma solução de hidroxicloroquina. Responsável pelo procedimento, a médica Eliana Scherer foi afastada da unidade e denunciada pela própria instituição ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina (CRM). 

Segundo nota de esclarecimento emitida pelo hospital, Eliana Scherer foi afastada do corpo de médicos da instituição no dia 10 de março após “tentar obrigar a equipe assistencial a administrar pela via inalatória uma solução com hidroxicloroquina, de procedência desconhecida, não prescrita em prontuário, manipulada pela própria médica”. 

Porém, após certa comoção popular e sob a justificativa de o tratamento estar salvando vidas, ela voltou a ofertar o tratamento aos familiares e pacientes que eram atendidos no Pronto Socorro do hospital, bem como aos já internados na instituição. 

“Famílias que, face ao seu desligamento da escala do Pronto Socorro, contrataram a referida médica para acompanhar os pacientes, solicitando assim, que fosse administrado o tratamento experimental. Como se tratava de terapia experimental, alguns médicos se negaram a prescrever o tratamento aos pacientes sob seus cuidados, razão pela qual as famílias buscaram o poder Judiciário para permitir que fosse feito o tratamento com a inalação da solução de HCQ”, informa a nota. 

Nesse cenário, houve a liberação, em liminar, para que o tratamento fosse administrado pela médica, desde que ela assumisse a integralidade da assistência de seus pacientes. A partir disso, a direção do hospital liberou um termo de acordo para que aqueles pacientes e familiares que quisessem receber o tratamento se responsabilizassem pelas consequências da inalação de hidroxicloroquina como tratamento para COVID-19. 

Esses pacientes, segundo esclarecimento do Hospital Nossa Senhora Aparecida, eram informados de que o tratamento não tinha, e não tem, comprovação científica quanto a sua eficácia. Assim, quatro pacientes da instituição fizeram inalação do medicamento. Destes, três vieram a óbito nos últimos dias. Todos eles com quadros de taquicardia ou arritmia algumas horas após receberem a nebulização.  

Dois deles já estavam em estado geral grave, com insuficiência respiratória em ventilação mecânica e um deles estava estável, recebendo oxigênio por máscara com boa evolução, afirma o hospital. 

“Por se tratar de um tratamento sem comprovação cientifica, o hospital não pode afirmar que houve relação direta entre os óbitos e a inalação com HCQ, por sua vez, não verifica que a nebulização contribuiu para melhorar o desfecho dos pacientes. Os indícios sugerem que está contribuindo para a piora, porque todos os casos (de óbito) apresentaram reações adversas após o procedimento”, esclarece em nota. 

O Hospital Nossa Senhora Aparecida afirma, por fim, que, por não ter experiência com tratamentos experimentais e não ter referências seguras para a aplicação, normalmente opta por não o fazer.  

“Infelizmente, nesse cenário de desespero, polarização e politicagem, diante de muita pressão da sociedade, permitimos que, via judicial e, de maneira formalizada, os pacientes que desejavam receber essa terapia, assim o fizessem. Assim, o Hospital informa que continuará envidando todos os seus esforços para atender os seus pacientes, respeitando os protocolos aprovados pelos órgãos de saúde nacionais e internacionais.” 
 

O governo defende...

Na última sexta-feira (19/3), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) entrou ao vivo em um programa de rádio e defendeu a prática da “nebulização da hidroxicloroquina”. Bolsonaro chegou a citar o caso da médica Eliane. Segundo ele, o vereador e ex-prefeito de Dom Feliciano (RS) Dalvi Soares de Freitas teria sido curado por causa da prática alternativa.

“Nós temos uma doença que é desconhecida, com novas cepas, e pessoas estão morrendo. Os médicos têm o direito, ou o dever, no momento em que falta um medicamento específico para aquilo com comprovação científica,de usar o que se chama de off-label – fora da bula. Agora, aqui no Brasil, a pessoa é criminalizada quando tenta uma alternativa para salvar quem está em estado grave”, disse o presidente à Rádio Acústica.
 
A hidroxicloroquina não tem comprovação científica no que tange o tratamento para COVID-19, assim como a inalação do medicamento. 


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