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Estado de Minas

Criticada por Bolsonaro, CoronaVac é esperança para vacinação imediata

Não é de hoje que Bolsonaro e Doria se desentendem sobre a vacina, levando a crise sanitária para o plano político


16/01/2021 16:06 - atualizado 16/01/2021 16:51

O episódio gerou polêmica entre os governadores polarizando ainda mais a guerra política(foto: AFP / NELSON ALMEIDA e AFP / EVARISTO SA)
O episódio gerou polêmica entre os governadores polarizando ainda mais a guerra política (foto: AFP / NELSON ALMEIDA e AFP / EVARISTO SA)
Um dito popular ilustra bem o cenário de expectativa quanto ao início da vacinação contra a COVID-19 no país: língua fala, língua paga. Pois depois de desfazer tanto do imunizante Coronavac, produzido pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, trocar "agulhadas" com o governador João Doria e ver frustrada a chegada imediata das unidades da Oxford/AstraZeneca, importadas da Índia, o presidente Jair Bolsonaro recorre agora a SP para dar início à vacinação prometida para a próxima semana.

Em ofício, o Ministério da Saúde solicitou ao Butantan a entrega imediata de todo estoque de 6 milhões de doses da Coronavac existentes no estado. 

Não é de hoje, em 10 meses de pandemia do novo coronavírus, que Bolsonaro e Doria se desentendem sobre a vacina, levando a crise sanitária para o plano político e causando mais tensão no país, onde se registram mais de 200 mil mortes. 
Em 11 de junho, Doria se antecipou e assinou acordo com a Sinovac para produção do imunizante. Não bastou muito, e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, e outros aliados de Bolsonaro, fizeram um apelo para ninguém tomar a vacina. Mais lenha na fogueira, enquanto as incertezas dominavam o Brasil e as famílias choravam a perda de pais, irmãos, filhos e demais entes queridos. 

Em setembro, logo após Doria falar sobre a obrigatoriedade da vacinação no território paulista, Bolsonaro ironizou chamando o governador de “médico do Brasil”. A morte de um dos pacientes do estudo da Coronavac também foi alvo de críticas do presidente. 

No mês seguinte, o ministro da Saúde anunciou a compra do imunizante chinês. Menos de 24 horas depois, a aquisição foi desautorizada pelo presidente em live via Instagram. O episódio gerou polêmica entre os governadores polarizando ainda mais a guerra política. 

E tem mais: No início de dezembro, o governo federal divulgou sua estratégia para a vacinação dos brasileiros, excluindo a CoronaVac, o que incentivou o governo paulista a dar uma resposta imediata. Isso foi a deixa para Doria dar o troco, oficializando o programa de vacinação estadual sem apoio do governo federal. 

Agora, com o atraso na remessa do imunizante que vem da Índia, o clima é de ansiedade nas capitais e interior, onde a capacidade de leitos nos hospitais se esgota rapidamente e o eco dos embates políticos causa mais dor do que promessa de salvação.


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