
“A completa ausência de dados acerca da população LGBT dificulta não só a implementação de políticas públicas, como tem contribuído para a invisibilidade das violações e violências contra essas pessoas”, critica Simmy Larrat, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABLGBT) e ex-coordenadora-geral de Promoção dos Direitos LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Na esfera governamental, o Ministério dos Direitos Humanos utiliza o Disque 100 para receber denúncias de agressões contra diferentes grupos de vítimas, incluindo a população LGBT. Com relação a esse público, foram 10.757 registros de 2011 a 2016.
Segundo Renata Castro, advogada brasileira especializada em imigração e atuante nos EUA, muitos representantes da população LGBT, oriundos de diferentes continentes, buscam asilo em terras americanas pelo fato de a sociedade local respeitar as liberdades individuais.
“Aqui, nos Estados Unidos, o individual sobrepõe o coletivo, e a Constituição, por exemplo, proíbe o Estado de agir contra as liberdades individuais. Muito diferente do Brasil, onde é grande a influência da religião no Estado e na política, com reflexos na formação da sociedade”, avalia ela, citando, como consequência, os ataques à comunidade LGBT, a terreiros de religiões de matriz africana e a seus frequentadores.
Já a advogada americana Carmen Arce afirma que, cada vez mais, o Brasil é visto nos Estados Unidos como um país intolerante em relação à homossexualidade. “Porque existe muita violência e discriminação contra esse grupo”, ressalta.
