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Estado de Minas

Família acusa PM do Rio por tragédia que matou menina de 10 anos

Vanessa dos Santos foi morta com tiro na cabeça na porta de casa. Até secretário critica atuação dos policiais


postado em 06/07/2017 06:00 / atualizado em 06/07/2017 08:42

Rio – A família da menina Vanessa Vitória dos Santos, de 10 anos, morta na terça-feira com um tiro na cabeça na porta de casa, na localidade da Boca do Mato, no Lins de Vasconcelos, no Rio, acusa a Polícia Militar de ter entrado na comunidade e ter colocado a criança na linha de tiro. Segundo o pai de Vanessa, Leandro Monteiro de Matos, não foi bala perdida. “Foi assassinato. Tem testemunhas. Meu sentimento é de muita revolta. Estou me sentido abandonado pelas autoridades.” O secretário municipal de Educação, César Benjamin, também criticou a atuação da PM. Vanessa morreu durante troca de tiros entre policiais militares e criminosos durante uma operação de rotina.

A madrinha de Vanessa, Regineide Gomes da Silva, que mora em frente à casa da vítima, contou como tudo aconteceu: “‘Moço da licença’, eu falei para um PM que estava na porta da casa. ‘Eu vou pegar a minha afilhada que está em casa sozinha’. O PM disse que iria entrar, mas eu falei: ‘mas eu vou tirar ela de dentro de casa!’ Aí do nada, veio muito tiro, muito tiro. Aí eu pulei no valão que fica nos fundos da casa para não ser atingida também”. Quando terminou o tiroteio, Regineide viu que Vanessa estava ferida com um tiro na cabeça, mas ainda estava viva. “Os policiais vieram e levaram a menina para o hospital, mas ela já chegou sem vida”.

O secretário Cesar Benjamin também não poupou a atuação da polícia. “O modo de atuação da PM está errado. Isso precisa mudar. Nós estamos acionando o Ministério Público para que ele acompanhe junto conosco essa situação e avalie a possibilidade de ações criminais diante dessas ações criminosas da polícia”. O secretário esteve reunido hoje pela manhã com professores da 3ª Coordenadoria Regional de Educação, na Escola Municipal José Eduardo de Macedo Soares, no Lins de Vasconcelos, onde Vanessa estudava.

De acordo com a Secretaria de Educação, 1.736 alunos de duas creches, um Espaço de Desenvolvimento Infantil e escolas da região, no Complexo do Lins, ficaram sem aula ontem. No início da tarde, um grupo de 50 moradores da região, vestidos de branco e com cartazes pedindo paz, fizeram um ato de protesto pela Rua Dias da Cruz, que liga os bairro do Méier ao Lins de Vasconcelos, contra a violência policial.

O governador Luiz Fernando Pezão determinou à Secretaria de Estado de Direitos Humanos que preste toda a assistência à família de Vanessa. “Sabemos que é pouco diante dessa devastadora tragédia, mas faremos o possível para abrandar essa dor, que também é nossa. Estamos fazendo tudo a nosso alcance, junto com o governo federal, para solucionar a crise do Rio”, disse Pezão. O governador também determinou providências à Secretaria de Segurança para elucidar as circunstâncias da morte da menina.

Estudante baleada dentro da escola

Uma estudante de 14 anos foi baleada dentro do Colégio Estadual Ricarda Leon, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ela estava no pátio, por volta das 11h, e foi atingida nas costas. O tiro perfurou um dos pulmões. Levada para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, a jovem foi operada e o estado de saúde dela era considerado estável até a noite de ontem.

De acordo com informações da Policia Militar, não houve operação policial na região na manhã de ontem. “Criminosos de facções rivais entraram em confronto nas comunidades Morro do Colejão e Parque Floresta. Durante a troca de tiros, uma estudante foi atingida no Parque São José. O batalhão foi acionado após a adolescente ser baleada”, informou, em nota, a PM. Depois que a estudante foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, equipes do Grupamento de Ações Táticas do 39°BPM (Belford Roxo) fizeram incursões na região para tentar prender os criminosos.

Professores que atuam na região informaram que a escola fica numa das áreas mais violentas de Belford Roxo. “Se algum diretor da Secretaria de Educação visitar a escola, precisa avisar antes para o diretor da Ricarda Leon para o tráfico liberar a entrada do carro da secretaria. A gente está exposto. As nossas escolas estão entregues ao tráfico, qualquer um entra a hora que quiser, porque não tem mais o porteiro de escola. Estamos expostos e vulneráveis”, afirmou um professor que pediu para não ser identificado.

Há três meses outro caso


Em 30 de março, a adolescente Maria Eduarda Alves da Conceição (foto), de 13 anos, morreu após ser atingida baleada durante a aula de educação física dentro da Escola Municipal Daniel Piza, na Pavuna, na Zona Norte do Rio. A menina cursava o 7º ano do ensino fundamental. Quando Eduarda foi baleada, policiais e bandidos travavam um confronto no conjunto habitacional Fazenda Botafogo, perto do colégio. A família da adolescente contestou a afirmação da polícia de que ela teria sido atingida por uma bala perdida. Na mesma hora e ao lado da escola um vídeo flagrou o momento em que dois policiais militares atiram contra dois homens já rendidos e caídos no chão. Os dois policiais foram presos. Revoltados, moradores da área fizeram uma série de protestos em reação à morte de Eduarda. Laudo da necrópsia apontou que dois tiros na base do crânio foram a causa da morte da menina, que tinha ainda ferimentos de tiros nas nádegas. Todas as balas, de acordo com o laudo da autópsia, entraram pelo lado direito do corpo.

 

 

 

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