Um comandante e outros 16 policias militares do Rio de Janeiro foram presos a pedido do Ministério Público do estado nesta quinta-feira. Os militares são acusados de extorsão, mediante sequestro e roubo. A investigação, conduzida pelo MP-RJ e a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, analisa a existência de um esquema de pagamento semanal de propina a policiais do 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM), na Ilha do Governador, zona norte da cidade.
A prisão foi decretada por um episódio específico, ocorrido em março deste ano, quando policiais abordaram, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, cinco criminosos em um carro cheio de armas e explosivos. No entanto, a investigação indica que os policiais recebiam propina de uma facção criminosa local para fazer vista grossa aos crimes cometidos na região.
A ação que levou às prisões foi gravada por câmeras de segurança da Base Aérea do Galeão e dos carros dos policiais. Os policiais encaminharam três dos cinco criminosos detidos à delegacia, mas duas lideranças da facção criminosa local foram sequestradas e levadas a lugar isolado.
Conforme a investigação do MP-RJ e da Subsecretaria de Inteligência, os policiais exigiram pagamento de R$ 300 mil para liberar os dois criminosos. Em seguida, revenderam, por R$ 150 mil, parte das armas apreendidas para representantes da própria facção. Desse total, pelo menos R$ 40 mil teriam sido destinados ao coronel Dayzer Corpas Maciel, comandante do Batalhão e um dos suspeitos presos no dia.
Durante as investigações ainda foram descobertos indícios de que a facção criminosa pagava quantia semanal aos policiais do 17º BPM, para que eles não reprimissem suas atividades ilegais. Motoristas de transporte alternativo também pagavam propina. Outros policiais podem estar envolvidos no esquema.
“Isso ficou caracterizado na investigação. O pagamento seria às sextas-feiras. Os responsáveis pelo transporte alternativo e pelo tráfico de drogas pagavam valores altos para que não houvesse repressão. Assim, eles agiam livremente”, disse Fábio Galvão, subsecretário de Inteligência.
A Subsecretaria de Inteligência também investigará o coronel Dayzer, por suspeita de compra, na loja de sua esposa, de materiais de construção usados em obras do batalhão. Conforme Galvão, há suspeitas, inclusive, de notas fiscais adulteradas para superfaturar os materiais.
Comando
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que não haverá mudanças no Comando Geral da Polícia Militar, chefiado pelo coronel Luís Castro Menezes.
"As investigações não chegaram ao comandante", garantiu o secretário, em referência também à Operação Amigos S/A, que prendeu 26 policiais militares que atuaram no 14º BPM (Bangu), entre eles o coronel Alexandre Fontenelle, detido quando estava no Comando de Operações Especiais (COE), que abriga o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Não há relação entre as duas operações. Ele acrescentou que "de maneira nenhuma iria intervir em movimentação de policiais, seja lá quem for, considerando que as pessoas estão sendo investigadas".
"Vamos seguir nesse trabalho (de investigação em parceria com o MPRJ). Se as polícias fizessem elas mesmas esse trabalho, seria muito melhor. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de ninguém, mas também não vamos cometer nenhuma injustiça e nem antecipar qualquer tipo de juízo."
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Comandante de batalhão e mais 16 PMs são presos no Rio
Os militares são acusados de extorsão, mediante sequestro e roubo
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