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Estado de Minas

Krav maga atrai cada vez mais mulheres


postado em 17/03/2013 10:44 / atualizado em 17/03/2013 10:46

(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Sensíveis sim, não necessariamente fracas. Preocupadas com a violência, doméstica e urbana, as mulheres estão sempre dispostas a ouvir quando o assunto é defesa pessoal. Como jeito de prevenir um assalto, reagir a uma agressão masculina e principalmente conquistar mais confiança, elas estão invadindo as academias de lutas. O interesse estético aparece, mas não é o que mais chama a atenção nas praticantes do krav maga, única luta reconhecida mundialmente como arte de defesa pessoal e não como arte marcial.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, 200 delas se reuniram na União Israelita de Belo Horizonte para um treinamento diferente. Durante uma manhã, aprenderam como se esquivar de uma puxada de cabelo, de uma tentativa de furto à bolsa e a se prevenir contra assaltos e outros tipos de violência. No tatame, lutadoras experientes e iniciantes – muitas delas em seu primeiro contato com a arte de defesa – levaram a sério o treino com diversas simulações de agressão ao gênero.

Segundo Beny Schickler, professor de krav maga da União Israelita à frente do Seminário de Defesa Pessoal para Mulheres, é preciso que elas saibam se defender quando não existir outra opção. O krav maga é baseado no comportamento de segurança e por isso tenta, antes de tudo, prevenir a situação de risco. Vários ensinamentos são medidas para evitar a violência. As alunas aprendem, por exemplo, a não se maquiar dentro dos carros e a guardar a chave na bolsa de forma a encontrá-la de forma simples.

“Geralmente a agressão ocorre com os alvos menos protegidos: a mulher, o idoso e a criança. Daí a necessidade de as mulheres aprenderem a se defender usando o que têm em volta. Aqui o treino é misto, inclusive porque a tendência é que o agressor seja um homem. As mulheres treinadas no Krav Maga podem evitar situações de conflito e até a violência em casa”, defende o professor Beny, filiado à Federação Sul-Americana de Krav Maga.

Tatiana Marques Guerra, de 29 anos, treina desde 2008. Soube da luta por meio do pai, um apaixonado pela cultura de Israel, que viu no krav maga um meio de a filha aprender a se defender de situações difíceis. “Ele achou que me acrescentaria em termos de segurança e realmente uso os conceitos do krav maga todos os dias de forma preventiva. Observo as pessoas ao meu redor, não ando com fones ou celular e procuro pessoas suspeitas”, conta.

A fonoaudióloga sempre gostou da prática de esportes, mas na luta gostou especialmente de aprender como se defender. “Já fui assaltada, era muito desatenta. Isso gerou muita insegurança. Com o krav maga me sinto mais confiante, embora saiba que vai depender muito da situação para eu reagir ou não.” Mas não é só isso. Tatiana viu benefícios também no condicionamento físico e na resistência. “É pesado, mas é bom. É uma luta dinâmica, com a parte aeróbica muito forte.”

Segundo Beny, geralmente o krav maga é praticado em duas aulas por semana, de uma hora cada. Os primeiros 25 minutos são de aquecimento e trabalho aeróbico, trabalhando flexibilidade e força. Os demais 35 minutos são de teoria e prática. O treinamento é variado, com os lutadores de pé, sentados e deitados. “Trabalhamos colado ao suposto agressor, em situações com os corpos mais afastados, e com armas da modernidade.” Em uma aula é possível perder até 700 calorias.

PRIMEIRAS LIÇÕES
A dentista Juliana Mara de Castro, de 25, e a bancária Camila Guimarães, de 28, nunca tinham estado em um tatame até as primeiras lições de krav maga. Inspirada pelo namorado, que já praticou a luta e por quem ela conheceu a técnica, teve interesse de procurar o seminário em função das condições de segurança enfrentadas no país. “Estamos expostos a todo tipo de ameaça, mas para reagir depende muito da situação. Mas fiquei interessada em fazer a aula”, adianta.

Camila foi a convite das amigas que já praticam a luta. Não tinha ideia do que era, mas se surpreendeu. “Não é preciso ter força. Se estiver lutando ou me defendendo de alguém maior do que eu, vou depender dos movimentos que aprendi, como o de me esquivar de uma puxada de cabelo. Não imaginava como seria sair de uma situação como essa. Já fui assaltada até dentro do carro. Acho que por isso minhas amigas achavam que eu precisava conhecer o krav maga.”

E trata-se de uma luta tradicional, criada em meados de 1940 por Imi Lichtenfeld, em Israel. Eram tempos de guerra e violência e Imi criou um método para sobreviver ao horror. Percebeu que as técnicas de combates e lutas existentes não valiam naquela realidade e entendeu que movimentos naturais do corpo poderiam ser trabalhados para a defesa própria e combate e que os seus pontos fracos e sensíveis também o eram para seus inimigos e adversários.

Criou então uma técnica corporal e espiritual que seria eficiente para qualquer um, independentemente de força ou preparo físico, idade ou sexo. Defender sua vida com aquilo que tinha: sua mente e seu corpo. Segundo Beny, tudo começou nas Forças Armadas, apesar de a arte marcial ser uma arte de guerrear e o ponto de vista do krav maga ser a defesa. “Por ser simples, rápido e objetivo era um treinamento que encaixava bem ao soldado.”

No krav maga não há regras ou competições. A técnica visa à legítima defesa em situações de perigo real. Com respostas simples, rápidas e objetivas para situações de violência do dia a dia, mostra ao cidadão comum como se defender. Por causa da origem militar, sua aplicação nas forças de segurança já foi adotada por corporações do mundo inteiro por sua eficiência em combate, mas a partir de 1964 passou também a ser adotada no mundo civil, quando foram adotadas as faixas.

SIMULAÇÃO


Na União Israelita as mulheres já são 30% dos alunos de krav maga. Crianças a partir de 5 anos podem frequentar as aulas. O principal golpe é o chute no genital, algo proibido em artes marciais, mas não no krav maga, onde a ideia é resolver rapidamente a situação de perigo. Todos os golpes miram pontos sensíveis do corpo, como olho, nariz, traqueia. É possível até dobrar ou morder um dedo, “tudo que no esporte é proibido aqui é permitido, porque a proposta é diminuir a força bruta do agressor e igualar a diferença. Mas no treino tudo é simulação”, explica Beny Schickler.

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