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Estado de Minas ESQUARTEJAMENTO

Tudo indica que mulher matou executivo por ciúme

Polícia acredita ainda que Elize Araújo adotou requintes de crueldade para executar o diretor da empresa de alimentos Yoki, Marcos Kitano Matsunaga. Casal tem uma filha de 1 ano


postado em 06/06/2012 07:53 / atualizado em 06/06/2012 07:58

Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 38 anos, matou e esquartejou o marido(foto: CARLOS PESSUTO/FUTURA PRESS/AE SP)
Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 38 anos, matou e esquartejou o marido (foto: CARLOS PESSUTO/FUTURA PRESS/AE SP)


A polícia afirmou nessa terça-feira que há fortes indícios de que a bacharel em direito Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 38 anos, matou e esquartejou o marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42, por ciúme. Ela está presa provisoriamente desde segunda-feira. A vítima era diretor-executivo da Yoki. A polícia investiga também se outra pessoa teria participado de alguma forma do crime. O corpo de Matsunaga foi enterrado ontem no Cemitério São Paulo, na Zona Oeste da capital paulista.

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elize doou à Guarda Civil Metropolitana, depois do crime, uma pistola 765 de mesmo calibre da que foi usada para matar o empresário. Segundo a polícia, ela é exímia atiradora, assim como o marido, que foi morto com um tiro à queima-roupa no lado esquerdo da cabeça. Ela é destra. Ele era colecionador de armas. Exames de balística vão dizer se o projétil encontrado no crânio foi disparado pela arma doada por Elize.

Câmeras mostraram Matsunaga entrando no prédio em que eles moravam, com a mulher, a babá e a filha, de 1 ano, às 18h30 de 19 de maio, vindos do aeroporto, segundo a polícia. Ele desceu uma hora depois para buscar uma pizza e voltou ao apartamento. Depois disso, não saiu mais com vida. No dia seguinte, depois de dar folga à baba no período noturno, Elize deixou o prédio pelo elevador de serviço, às 11h30, carregando três malas. Retornou às 23h50, já sem as malas. À polícia, ela disse informalmente que pretendia viajar para o Paraná, onde nasceu, mas desistiu no meio do caminho.

Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos(foto: Reproducao/MB/Futura Press )
Marcos Kitano Matsunaga, de 42 anos (foto: Reproducao/MB/Futura Press )
Elize ainda não prestou depoimento formal, mas, segundo a polícia, demonstrou tranquilidade. Além de direito, ela cursou enfermagem. Os sacos plásticos que embalavam os pedaços do corpo do empresário são importados, com um filete vermelho, do mesmo tipo dos que foram encontrados no apartamento do casal. As imagens mostram que o empresário foi visto pela última vez com uma camisa marrom, aparentemente a mesma que vestia parte do corpo encontrado na Estrada dos Pires, em Cotia (SP).

Segundo a polícia, a cobertura onde o casal vivia tinha mais geladeiras do que se costuma encontrar em residências comuns. Havia inclusive câmeras frias. Peritos aplicaram luminol – produto que identifica manchas de sangue invisíveis a olho nu –, mas ainda não encontraram nada. Uma nova perícia será feita hoje no local. A polícia aponta para a possibilidade de crime passional. “Há indícios de traição baseados em fatos”, disse Mauro Dias, delegado responsável.

Segundo Dias, por enquanto, está descartada qualquer relação entre a morte do empresário e sua participação na Yoki, que foi vendida enquanto ele estava desaparecido para o grupo americano General Mills, por R$ 1,95 bilhão. O empresário deixou um seguro de vida de R$ 600 mil, que tinha a mulher como uma das beneficiárias. Elize e Matsunaga eram casados havia dois anos e tinham uma filha. Foi o segundo casamento dele, que tinha outra filha do relacionamento anterior.

SEM SEGURANÇAS


Segundo o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, os indícios apontam que o empresário foi morto com requintes de crueldade. Ele disse também que o casal não tinha seguranças. “Temos um histórico geral da situação conjugal e estamos checando cada episódio (da vida dos dois)”. O casal vivia em uma cobertura formada por dois apartamentos que, juntos, tinham mais de 500 metros quadrados, na Rua Carlos Weber, Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Vizinhos comentavam há dias sobre o desaparecimento, mas não suspeitavam da mulher do empresário. Pensavam que ele tinha sido sequestrado.

A investidora Verônica Castro, de 40, estudou com Matsunaga no Colégio Rainha da Paz, na adolescência. Ela não sabia que ambos moravam no mesmo prédio, até ver as notícias da morte do colega. “Ele era o ‘CDF’ da classe. Uma pessoa excelente. Nunca o vi brigar com ninguém”, disse.


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