De acordo com Elias Rodrigues, as buscas não começaram ainda devido a extensão do terreno. "É um espaço muito grande e vamos precisar de duas equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC), além de equipamentos de grande porte como retroescavadeiras. É uma questão de logística", contou. Os moradores dos sítios vizinhos também foram ouvidos pelo delegado. Eles informaram que os três antigos habitantes eram extermamente reservados e tinham modos estranhos, mas não deram detalhes.
Até o momento, foram encontrados os corpos de duas mulheres. Giselly Helena da Silva, 31 anos, e Alexandra Falcão da Silva, 20 anos. No entanto, a polícia ainda procura pelo menos outras seis vítimas do trio. Entre elas, Jéssica Camila, de 17 anos, que teria sido a primeira a ser assassinada, esquartejada e, posteriormente, comida por Jorge, Isabel e Bruna.
Desde a última terça-feira, os canibais de Garanhuns estão na sede do Grupo de Operações Especiais (GOE), no bairro do Cordeiro, para prestar maiores esclarecimentos à polícia.
As vítimas

Jéssica Camila da Silva Pereira, 17 anos, desaparecida em julho de 2008
Teria conhecido o casal Jorge Beltrão e Isabel Pires no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife, onde trabalhava vendendo bombons, próximo a um canal. Aceitou o convite de ambos para trabalhar como doméstica na casa deles em Rio Doce, Olinda. Dois meses depois, teria sido assassinada por eles, quando esboçou desejo de deixar a casa. Após a morte, o casal teria se alimentado da carne da vítima. A filha dela, na época com dois anos, também teria ingerido a carne da mãe como alimento. A criança foi registrada em cartório como se fosse filha do casal de suspeitos.
Giselly Helena da Silva, 31 anos, desaparecida em 25 de fevereiro de 2012
Quando foi contratada por Jorge Beltrão e Isabel Pires para ser babá da suposta filha do casal, Giselly chegou a comemorar o fato de passar a ganhar um salário mínimo e meio. Desde que ela começou no emprego, a família ficou sem notícias da jovem. Os parentes procuraram a polícia, achando que Giselly teria sido vítima de sequestro. Faturas de cartões de crédito em nome dela começaram a chegar na casa dos parentes, o que ajudou a polícia na investigação: as imagens do circuito interno das lojas listadas na fatura foram solicitadas. A câmera serviu para identificar os suspeitos. Quando a polícia encontrou os restos mortais, no dia 11 de abril, a criança teria dito que Jorge considerava Giselly uma pessoa má e que, por isso, iria matá-la.
Alexandra Falcão da Silva, 20 anos, desaparecida no dia 12 de março de 2012
Assassinada menos de um mês depois do crime contra Giselly, Alexandra foi convidada a trabalhar na casa da dupla da mesma forma que a primeira vítima. Mas, segundo familiares, o homicídio ocorreu no mesmo dia em que a jovem havia começado no serviço. Na casa dos acusados, ela ganharia um salário mínimo e meio para cuidar de uma idosa e de uma criança. Isabel Pires teria feito o primeiro contato com a vítima dentro de um ônibus, sendo fechada a proposta de trabalho uma semana depois.
