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Estado de Minas FACT-CHECKING

Checamos: imagem de protesto é na Bélgica, não contra o prefeito de São Paulo

Vídeo foi compartilhado em redes sociais milhares de vezes como se fosse um protesto contra medidas de isolamento social durante a pandemia na capital paulista


postado em 22/05/2020 20:01 / atualizado em 23/05/2020 12:40

Um vídeo em que dezenas de profissionais de saúde viram de costas à medida em que carros oficiais passam entre eles, entrando em um hospital, foi compartilhado milhares de vezes em redes sociais desde meados de maio como se mostrasse um protesto realizado em São Paulo contra o prefeito da cidade, Bruno Covas.

Apesar de a manifestação ser real, ela foi realizada em Bruxelas, contra a primeira-ministra da Bélgica, Sophie Wilmès.

“Na chegada ao hospital, os profissionais de saúde deram as COSTAS ao prefeito Bruno Covas”, diz a legenda que acompanha as imagens, em publicações (1, 2, 3, 4) compartilhadas mais de 24 mil vezes no Facebook desde o último dia 20 de maio. A alegação também aparece em postagens no Twitter, Instagram e YouTube

O vídeo circula no momento em que Covas é criticado pelas ações tomadas, junto ao governador do estado, João Doria, para aumentar o isolamento social em São Paulo. Entre as medidas questionadas estão a antecipação de feriados municipais e a implementação de um, já revogado, rodízio de carros

 

As imagens viralizadas não mostram, no entanto, uma manifestação contra o prefeito paulista.

Uma busca no Google por capturas de tela do vídeo leva a múltiplas reportagens (1, 2, 3) sobre um protesto realizado no último dia 16 de maio contra a primeira-ministra belga, Sophie Wilmès. Segundo os artigos, a gravação mostra o momento em que a chefe do governo chegava ao Hospital Universitário Saint-Pierre, localizado em Bruxelas.

O mesmo foi reportado pela AFP.

De fato, uma análise das imagens de satélite do hospital belga, disponibilizadas no Google Maps, permite identificar elementos semelhantes aos vistos na gravação viralizada, como demonstrado abaixo: 
Captura de tela feita em 22 de maio de 2020 de vídeo publicado no Facebook
Captura de tela feita em 22 de maio de 2020 de vídeo publicado no Facebook

Outros elementos presentes no vídeo confirmam que o protesto foi gravado na Bélgica, e não em São Paulo.

Aos 16 segundos da gravação é possível identificar ambulâncias amarelas e vermelhas, com o número 112 gravado. Este é o número de emergência e o padrão de ambulâncias utilizado na Bélgica. Em São Paulo, o número utilizado para pedir ajuda é o 192, enquanto as ambulâncias são vermelhas e brancas.

Além disso, aos 37 segundos do vídeo é possível identificar nitidamente a placa de um carro. O código “1 - EKH - 910”, segue o padrão das placas utilizadas na Bélgica (NLLLNNN), mas não o de São Paulo (LLLNNNN), com “L” representando letras “N”, números. 
Comparação entre imagem de satélite do Hospital Universitário Saint-Pierre, retirada do Google Maps, e vídeo publicado no Facebook
Comparação entre imagem de satélite do Hospital Universitário Saint-Pierre, retirada do Google Maps, e vídeo publicado no Facebook

O protesto realizado na Bélgica tinha como objetivo condenar as políticas implementadas pelo governo para lidar com a crise do novo coronavírus, que deixou mais de 9.200 mortos no país até este dia 22 de maio.

Em publicação no Twitter após o protesto, a primeira-ministra belga, Sophie Wilmès, afirmou que a visita ao Hospital Saint-Pierre foi um “momento de encontros, diálogo importante para os profissionais de saúde e para mim”.

Com mais de 310 mil casos confirmados, e de 20 mil mortes causadas pelo novo coronavírus até 22 de maio, o Brasil é o país mais afetado pela doença na América Latina. Apenas na cidade de São Paulo, liderada por Covas, eram mais de 41 mil casos e mais de 3.200 óbitos até a mesma data.

Em resumo, é falso que o vídeo viralizado mostre profissionais de saúde dando as costas ao prefeito de São Paulo, Bruno Covas. O vídeo foi gravado em Bruxelas, na  Bélgica, e mostra um protesto realizado contra a primeira-ministra do país, Sophie Wilmès.

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