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Estado de Minas

Sputnik V: o que se sabe sobre a vacina russa que teve milhões de doses compradas pelo governo federal e Estados do NE

Imunizante já foi autorizado em 51 países, segundo o instituto Gamaleya, responsável por seu desenvolvimento, mas ainda não foi aprovado pela Anvisa, que aguarda o envio de informações complementares pela farmacêutica União Química para analisar pedido de uso emergencial.


13/03/2021 21:00

O uso da Sputnik já foi autorizado em 51 países, que reúnem uma população somada de 1,3 bilhões de pessoas(foto: Reuters)
O uso da Sputnik já foi autorizado em 51 países, que reúnem uma população somada de 1,3 bilhões de pessoas (foto: Reuters)

Foi anunciada no sábado (13/3) a compra pelo consórcio de governadores do Nordeste de 37 milhões de doses da vacina Sputinik V, desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya.

Um dia antes, o governo federal havia divulgado que adquiriu outras 10 milhões de doses do imunizante, que ainda não foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. De acordo com o Gamaleya, o uso da Sputnik já foi autorizado em 51 países, que reúnem uma população somada de 1,3 bilhões de pessoas.

A intenção original do consórcio de governos do Nordeste era comprar 2 milhões de doses a mais do que foi acordado, mas foi preciso reduzir o pedido de acordo com a capacidade de produção do laboratório União Química, que tem um acordo com a Rússia para a produção local desta vacina.

Anteriormente, a União Química havia informado ter capacidade de fabricar e distribuir 150 milhões de doses do imunizante até dezembro de 2021. A empresa tem um acordo com o Instituto Gamaleya para transferência de tecnologia.

As entregas das doses adquiridas pelo consórcio serão escalonadas: 2 milhões em abril, 5 milhões em maio, 10 milhões em junho e 20 milhões em julho. Todas serão direcionadas para o Plano Nacional de Imunização e distribuídas em todo o país.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do consórcio, disse esperar que, com essa compra, o país consiga ampliar a imunização contra a covid-19 e chegar a 50 milhões de pessoas vacinadas até o próximo mês.

"Teremos condições de ter 20 milhões de brasileiros vacinados já agora em março. Todo o esforço vai na direção para chegar no mês de abril com 50 milhões de pessoas vacinadas", projetou o governador do Piauí.

Na sexta-feira (12/3), o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 10 milhões de doses da Sputnik V. No cronograma da pasta, serão entreges 400 mil doses em abril, 2 milhões em maio e 7,6 milhões em junho.

"Para que possamos aplicar a Sputnik, só necessitamos que a União Química providencie com a Anvisa, o quanto antes, a autorização para uso emergencial e temporário", disse Elcio Franco, secretário do ministério.

O que diz a Anvisa?

Até o momento, a Sputnik V não é relacionada pela Anvisa entre os registros de vacinas de que estão sendo analisados pela agência em um site criado especialmente para informar isso.

De acordo com a Anvisa, a União Química solicitou em 15 de janeiro a autorização de uso emergencial para a vacina russa, mas o pedido foi devolvido porque era necessário complementar dados e informações que são normalmente requisitadas pela agência e a farmacêutica não havia fornecido. Isso não foi feito pela empresa até agora.

Uma vez feito o pedido de uso emergencial, a agência tem 30 para analisar a solicitação e emitir seu parecer. A agência informa que um imunizante "precisa ter demonstrado um mínimo de 50% de eficácia, além de segurança bem estabelecida" para ser aprovado.

A empresa também pediu no início de janeiro permissão para fazer estudos de fase 3 da Sputnik no Brasil, mas também faltavam informações essenciais.

No dia 21 de janeiro, a empresa e a Anvisa tiveram uma reunião, na qual os representantes da União Química apresentaram informações e reafirmaram o interesse fazer os estudos e pedir a autorização de uso emergencial.

Segundo a agência, "em 19 de fevereiro de 2021, um representante da empresa enviou e-mail para a área de pesquisa clínica da Anvisa informando que os dados estavam sendo providenciados e que estariam discutindo com os pesquisadores no Brasil".

O que apontaram os testes feitos na Rússia?

Sputnik V foi registrada na Rússia antes mesmo de ter eficácia comprovada em testes(foto: Reuters)
Sputnik V foi registrada na Rússia antes mesmo de ter eficácia comprovada em testes (foto: Reuters)

As duas primeiras fases dos estudos clínicos da Sputnik V começaram na Rússia no final de junho, quando foi investigado se a vacina, que é aplicada em duas doses com diferença de 21 dias entre elas, é segura e leva à produção de anticorpos. Cada fase teve 38 participantes.

Publicados no periódico The Lancet, os resultados apontaram que só foram registrados eventos adversos leves e nenhum grave, e que todos os participantes desenvolveram uma resposta imunológica capaz de combater o coronavírus e impedir a infecção por ele.

A Sputnik V foi aprovada nesses testes e partiu para a terceira e última etapa do estudo, para verificar se ela realmente conseguiria proteger contra a covid-19.

Os resultados preliminares desta fase foram publicados no The Lancet em 2 de fevereiro e revelam uma taxa de eficácia de 91,6%. A pesquisa feita com 20 mil voluntários continua em andamento para avaliar a proteção ou possíveis efeitos colaterais em longo prazo.

Outra importante observação do artigo publicado no The Lancet foi o fato de a Sputnik V ter funcionado bem em indivíduos acima dos 60 anos. Na análise de um subgrupo de 2 mil idosos, a eficácia também ficou na casa dos 91%.

Como funciona a Sputnik V?

Vacina russa usa a mesma tecnologia do imunizante de Oxford(foto: Reuters)
Vacina russa usa a mesma tecnologia do imunizante de Oxford (foto: Reuters)

Essa vacina usa uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante, que já é pesquisada há décadas pela indústria farmacêutica e é a mesma da vacina de Oxford.

Esse tipo de vacina usa outros vírus inofensivos para simular no organismo a presença de uma ameaça mais perigosa e que se deseja combater para gerar uma resposta imune.

No caso da vacina russa, ela é feita com adenovírus que causam resfriados em humanos. Eles foram modificados para não serem capazes de se replicar depois que entram nas células humanas.

Os cientistas inseriram neles as instruções genéticas para a produção de uma proteína característica do novo coronavírus, a espícula.

Uma vez injetados no organismo, eles entram nas células e fazem com que elas passem a produzir e exibir essa proteína em sua superfície.

Isso alerta o sistema imunológico, que aciona células de defesa e, desta forma, aprende a combater o Sars-CoV-2, o que protegerá uma pessoa se ela for infectada pelo vírus.

Onde a vacina já foi aprovada?

A Sputnik V tornou-se em 11 de agosto a primeira vacina a ser aprovada registrada no mundo por uma autoridade sanitária no caso, a agência da própria Rússia antes msmo de os testes de eficácia serem concluídos.

Desde então, o país imunizante já recebeu autorização de uso emergencial ou teve seu registro definitivo concedido em mais 50 países.

São eles (em ordem alfabética): Angola, Argélia, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Cazaquistão, Djibouti, Egito, Emirados Árabes, Eslováquia, Gabão, Gana, Guatemala, Guiana, Honduras, Hungria, Irã, Iraque, Jordânia, Laos, Líbano, Macedônia do Norte, Marrocos, México, Mianmar, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Namíbia, Nicarágua, Palestina, Paquistão, Paraguai, Quênia, Quirguistão, República da Guiné, República do Congo, San-Marino, São Vicente e Granadinas, Sérvia, Síria, Sri Lanka, Tunísia, Turcomenistão, Uzbequistão e Venezuela.


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