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Estado de Minas CONSCIENTIZAÇÃO

Jovens devem levar COVID-19 a sério, diz mulher que sofre com sequelas da gripe suína uma década depois

Saffra Monteiro, de 26 anos, acredita que contraiu H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico quando ela tinha apenas 15 anos e nenhum outro problema de saúde


23/11/2020 15:18 - atualizado 23/11/2020 17:21

Saffra Monteiro, de 26 anos, acredita que contraiu H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico(foto: BBC)
Saffra Monteiro, de 26 anos, acredita que contraiu H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico (foto: BBC)

Uma britânica que quase morreu após contrair a gripe suína quando adolescente, há 10 anos, defende que jovens comecem a levar vírus, incluindo o que provoca a COVID-19, mais a sério. 

 

 

 

"Vejo muitos jovens que não usam máscaras... Sim, eles podem e devem usar", diz Saffra Monteiro, de 26 anos, em entrevista à BBC. "Não só por pessoas como eu (do grupo de risco), mas por eles mesmos. Não deveria nem ser uma questão de (respeitar) outras pessoas, deveria ser sobre respeitar a si mesmo", acrescenta.

Monteiro acredita que contraiu o vírus da H1N1 de alguém que espirrou nela em um consultório médico quando ela tinha 15 anos.

"Em 2010, eu contraí a gripe suína. E ela quase me matou. Eu fiquei muito, muito doente. Não era o que você esperaria, considerando que eu tinha 15 anos e era saudável".

"O homem sentado ao meu lado na sala de espera estava claramente muito doente e espirrava para todo o lado. Três dias depois, eu fiquei muito, muito mal".

"Minha mãe me levou ao médico. Eles colheram uma amostra e no dia seguinte eu testei positivo para H1N1. Naquele momento, não me lembro de nada, porque eu desmaiei e fui levada ao hospital".

Estima-se que a epidemia de gripe suína tenha matado 200 mil pessoas ao redor do mundo, das quais 2 mil no Brasil.

Sequelas persistentes

Monteiro diz que o vírus a deixou tão mal que ela passou meses sendo internada e recebendo alta do hospital — e convive com os efeitos disso até hoje.

"Passei semanas entrando e saindo do hospital e essa era a minha vida. Quando eu não estava hospitalizada, estava em casa, no meu quarto, na minha cama ou no sofá, com dor e vomitando", lembra.

"A doença danificou minha cavidade nasal, então eu tusso todo o tipo de catarro nojento agora. Tenho problemas com o meu sistema digestivo. Dois anos depois de contrair a gripe suína, tinha convulsões praticamente todos os dias. E sofri várias concussões por causa disso. Tenho que tomar medicamentos e há muitas coisas normais que eu não consigo fazer", conta.

Os efeitos do vírus impediram Monteiro de trabalhar em tempo integral. Ela passa parte do dia em casa, cuidando de porcos-espinho resgatados.

"Agora, tenho 26 anos e nada mudou. Ainda sofro os efeitos que a doença me causou e estou praticamente cuidando de mim mesma sem ajuda de ninguém. Por outro lado, as vítimas da COVID-19 estão recebendo muita ajuda. (...) É complicado quando você assiste à TV e vê toda a atenção voltada para a COVID-19 e a atenção que eles (governo) vão dar a todo mundo que sofreu com isso. E eu me sinto como se estivesse de pé balançando meus braços e perguntando: 'E eu?'", diz.

Em resposta, o governo britânico afirmou que apoia o NHS (Serviço Nacional de Saúde) para "garantir que os indivíduos tenham o nível certo de cuidados para ajudar a administrar suas condições" e disse que financia pesquisas em doenças infecciosas, incluindo a gripe suína.


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