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Estado de Minas REVISTA NATURE

Coronavírus: o possível tratamento contra COVID-19 desenvolvido com sangue de lhamas

Pequenos anticorpos especialmente desenvolvidos desses animais fornecem modelo para avanço no enfrentamento da doença.


postado em 15/07/2020 15:09 / atualizado em 15/07/2020 16:10

Lhamas e alpacas têm anticorpos evoluídos que cientistas 'redesenharam' no laboratório(foto: Universidade de Reading)
Lhamas e alpacas têm anticorpos evoluídos que cientistas 'redesenharam' no laboratório (foto: Universidade de Reading)

Enquanto Fifi mastiga a grama em um pasto em Reading, na Inglaterra, seu sistema imunológico fornece o modelo para um avanço no tratamento contra o novo coronavírus.

Cientistas do Instituto Rosalind Franklin, no Reino Unido, usaram seus anticorpos especialmente desenvolvidos para criar uma terapia que reforça a imunidade.

O "coquetel de anticorpos" específico para COVID-19, baseado no sangue de lhamas como Fifi, pode começar a ser testado em testes clínicos dentro de alguns meses.


O estudo foi publicado na revista científica Nature Structural and Molecular Biology.


O experimento envolve "engenharia" de anticorpos de lhama, que são relativamente pequenos e muito mais simples que os anticorpos do sangue humano. Por seu tamanho e estrutura, eles podem ser "redesenhados" no laboratório.


Sangue da lhama Fifi foi colhido para experimento(foto: Universidade de Reading)
Sangue da lhama Fifi foi colhido para experimento (foto: Universidade de Reading)

'Desativando' o coronavírus

James Naismith, diretor do Instituto Rosalind Franklin e responsável pela pesquisa, descreve a técnica como similar a fazer uma chave que se encaixa na "fechadura" do coronavírus.


"Com os anticorpos da lhama, temos chaves que não funcionam - elas chegam à fechadura, mas não giram", diz ele.


"Então, pegamos essa chave e usamos a biologia molecular para polir partes dela, até fazermos uma chave que se encaixe."


Os anticorpos fazem parte do que é conhecido como sistema imunológico adaptativo; são moléculas que essencialmente se transformam em resposta a vírus ou bactérias invasores.


"Então, se você for reinfectado", explica Naismith, "seu corpo procurará por qualquer [partículas de vírus] com anticorpos presos ao seu redor e as destruirá".


(foto: BBC)
(foto: BBC)

Esse tipo de terapia imunológica aumenta a imunidade de uma pessoa doente com anticorpos que já se adaptaram ao vírus.


Já existem evidências de que o sangue rico em anticorpos, coletado de pessoas que se recuperaram recentemente do coronavírus, poderia ser usado como tratamento.

Mas o principal truque dessa terapia com anticorpos derivados de lhama é que os cientistas podem produzir anticorpos específicos para o coronavírus "sob encomenda".


A pequena parte reprojetada do anticorpo lhama também é conhecida como nanocorpo, explica Naismith.


"No laboratório, podemos criar nanocorpos que matam o vírus vivo extremamente bem - melhor do que quase qualquer coisa que vimos", acrescenta. "Eles são incrivelmente bons em matar o vírus."


Pesquisadores do centro Rosalind Franklin querem iniciar experimentos clínicos até o fim deste ano(foto: Andrew Brookes)
Pesquisadores do centro Rosalind Franklin querem iniciar experimentos clínicos até o fim deste ano (foto: Andrew Brookes)

Os nanocorpos fazem isso ligando - ou bloqueando - a "proteína com formato de espinho" na parte externa da cápsula do vírus; com esse espinho desativado, o vírus não tem como invadir as células humanas.


"Essencialmente, estamos fazendo no laboratório o que todos os sistemas imunológicos fazem no corpo", explica Naismith.


"E podemos fazer isso muito rapidamente, por isso, se o vírus mudar repentinamente ou recebermos um novo vírus, podemos projetar novos nanocorpos no laboratório."


A equipe liderada por Naismith pretende testar o tratamento em experimentos com animais nos próximos meses, com o objetivo de iniciar experimentos clínicos no fim do ano.


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