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Estado de Minas

'Acho que cometi um erro': o homem que morreu após ir a uma 'festa de covid', segundo médica

Encontros seriam realizados nos moldes das 'festas da catapora', que eram comuns até meados dos anos 1990, antes da introdução da vacina contra aquela doença. O objetivo seria entrar em contato com o vírus para ganhar imunidade


postado em 13/07/2020 17:43

'É uma festa organizada por alguém diagnosticado com covid-19. A ideia é que as pessoas se reúnam para ver se o vírus é real e se alguém é infectado'(foto: NanoStockk/Getty Images)
'É uma festa organizada por alguém diagnosticado com covid-19. A ideia é que as pessoas se reúnam para ver se o vírus é real e se alguém é infectado' (foto: NanoStockk/Getty Images)

"Acho que cometi um erro", confessou o paciente de 30 anos aos enfermeiros, pouco antes de morrer em razão da covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Ele havia participado de uma "festa de covid". "É uma festa organizada por alguém diagnosticado com covid-19. A ideia é que as pessoas se reúnam para ver se o vírus é real e se alguém é infectado", disse Jane Appleby, diretora médica do Hospital Metodista de San Antonio, no Estado do Texas, onde o homem foi internado.

A médica relatou o caso em um depoimento em vídeo. Segundo Appleby, o paciente, que morreu na semana passada, revelou aos enfermeiros que pensava que a covid-19 era "uma farsa".

"Este é apenas um exemplo de uma morte potencialmente evitável de um jovem membro de nossa comunidade. Nem posso imaginar a perda para a família", afirmou Appleby.

A médica não deu detalhes sobre a identidade do paciente, nem mencionou quando a festa teria ocorrido ou quanto tempo ele permaneceu internado antes de morrer.

Segundo Appleby, o hospital tem atualmente vários pacientes na faixa dos 20 e dos 30 anos de idade em estado grave.

"Alguns desses jovens vêm ao hospital em busca de tratamento e (logo) podem receber alta, mas outros ficam (gravemente) doentes muito rapidamente e necessitam de tratamento intensivo", observa.

Médicos relatam festas e mortes

As "festas da covid" seriam realizadas nos moldes das "festas da catapora", que eram comuns até meados dos anos 1990, antes do desenvolvimento da vacina contra aquela doença. O objetivo seria entrar logo em contato com o vírus para ganhar imunidade.

No caso da catapora, muitos pais acreditavam que a doença se manifestaria de forma mais branda em crianças do que em adultos e esperavam, assim, garantir que os filhos ficassem imunizados desde cedo.

Até o momento, porém, não há evidências ou informações oficiais nos Estados Unidos sobre festas realizadas especificamente com o objetivo de contaminar os participantes com covid-19, e alguns especialistas em saúde pública questionam a ocorrência desse tipo de evento, em que o objetivo principal seria contrair a doença.

Mas o caso revelado por Appleby não é o primeiro em que médicos ou autoridades de saúde chamam a atenção para "festas de covid".

No mês passado, autoridades do Estado do Alabama geraram atenção nacional ao afirmar que estudantes universitários estariam realizando "festas de covid" e apostando em quem seria infectado primeiro - com o "vencedor" ganhando prêmio em dinheiro. Mas as informações não foram confirmadas.

Em maio, autoridades do Estado de Washington disseram ter identificado pelo menos dois casos em que pacientes haviam participado de "festas de covid". Posteriormente, a informação foi corrigida, e as autoridades afirmaram que as festas não tinham o objetivo declarado de contaminar os convidados.

Há vários relatos de festas com grande número de pessoas, principalmente jovens, em diversas partes do país, mesmo diante de um aumento no número de casos de covid-19 e de apelos das autoridades para que a população evite aglomerações.

Há vários relatos de festas com grande número de pessoas, principalmente jovens, em diversas partes dos EUA(foto: Sunil Adsul/Getty Images)
Há vários relatos de festas com grande número de pessoas, principalmente jovens, em diversas partes dos EUA (foto: Sunil Adsul/Getty Images)

Em alguns Estados, como a Califórnia, há casos recentes de mortes de pacientes que participaram de festas e foram infectados. Mas, nesses casos, os eventos não haviam sido realizados com a meta específica de infectar os convidados.

Não há garantia de imunidade

Seja qual for o objetivo das festas, especialistas em saúde ressaltam que não há evidências concretas de que uma pessoa infectada com covid-19 fique imune ao vírus e alertam para os riscos de contrair a doença, que é potencialmente fatal mesmo em pacientes jovens.

De acordo com Appleby, é grande o número de jovens afetados pelo vírus.

"O que aprendemos é que esse vírus não discrimina, e nenhum de nós é invencível", afirmou a médica.

"Não quero ser alarmista. Estamos apenas tentando compartilhar alguns exemplos do mundo real para ajudar nossa comunidade a perceber que esse vírus é sério e se espalha facilmente."

Os Estados Unidos são o país com o maior número de casos e de mortes de covid-19 no mundo, com mais de 3,4 milhões de casos confirmados e mais de 137 mil mortos.

Nos últimos dias, o país vem registrando recordes no número de novos casos. Apenas no último fim de semana, foram confirmados mais de 100 mil novos casos.

O Texas já tem mais de 265 mil casos e 3,2 mil mortes. Mais de 6 mil novos casos foram identificados nas últimas 24 horas no Estado.

No condado de Bexar, onde fica a cidade de San Antonio, há mais de 19 mil casos confirmados. Segundo o Departamento de Saúde local, 25% dos casos são em pacientes com idades entre 20 e 29 anos, e 20% na faixa etária entre 30 e 39 anos.

"Atualmente, o Departamento de Saúde reporta que 22% das pessoas testadas para covid-19 têm teste positivo. Isso é cerca de uma em cinco pessoas. É um aumento preocupante de uma taxa de cerca de 5% apenas algumas semanas atrás", salientou Appleby.

"Por favor, usem uma máscara, fiquem em casa quando puderem, evitem grupos de pessoas e lavem as mãos", disse a médica.

(foto: BBC)
(foto: BBC)
(foto: BBC)
(foto: BBC)

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