A PF informou que duas pessoas foram detidas em São Paulo em uma operação para "interromper atos preparatórios de terrorismo e obter provas de possível recrutamento de brasileiros para a prática de atos extremistas no país".
As autoridades também realizaram 11 operações em São Paulo, Brasília e em Minas Gerais, de acordo com um comunicado.
O Mossad informou, também por meio de nota, que colaborou com os serviços de segurança brasileiros e agências internacionais para "frustrar um ataque terrorista no Brasil". O ataque era "planejado pela organização terrorista Hezbollah, dirigido e financiado pelo regime iraniano", continuou.
A "célula terrorista" planejava um ataque contra "alvos israelenses e judeus no Brasil" e era "uma rede ampla que operava em outros países", acrescentou, sem dar mais detalhes.
Especialistas em segurança investigaram recentemente a suposta presença do Hezbollah na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.
"No contexto da guerra em Gaza (...) o Hezbollah e o regime iraniano continuam operando ao redor do mundo para atacar alvos israelenses, judeus e ocidentais", disse o Mossad.
Segundo o site G1, um dos suspeitos foi preso ao desembarcar em São Paulo vindo do Líbano e teve R$ 25 mil apreendidos.
As prisões ocorrem pouco mais de um mês após o início do conflito entre Israel e o Hamas, depois que combatentes do grupo islamista palestino mataram 1.400 pessoas e sequestraram mais de 200 em território israelense, de acordo com o balanço de Israel.
O ataque, o mais letal desde a criação do Estado de Israel, em 1948, desencadeou uma campanha de bombardeios contra o território palestino, governado pelo Hamas desde 2007.
Do lado palestino, pelo menos 10.569 pessoas, a maioria civis, entre as quais mais de 4.000 crianças, morreram nos bombardeios israelenses, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas.
- "Preocupação" -
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) manifestou sua "enorme preocupação" com o caso.
"O terrorismo, em todas as suas vertentes, deve ser combatido e repudiado por toda a sociedade brasileira", escreveu em nota.
"Os trágicos conflitos do Oriente Médio não podem ser importados ao nosso país, onde diferentes comunidades convivem de forma pacífica, harmoniosa e sem medo do terrorismo", acrescentou.
Cercas de 107 mil judeus vivem no Brasil, a segunda maior comunidade da região atrás da Argentina.
Citando fontes policiais, a TV Globo informou que os investigadores suspeitam que os detidos tenham viajado recentemente para a capital libanesa.
Segundo a Globo, a polícia solicitou à Interpol a emissão de um mandado de prisão contra outros dois suspeitos com dupla nacionalidade brasileira-libanesa que estão atualmente no Líbano.
A Interpol não respondeu imediatamente aos pedidos de informações da AFP.
As operações antiterroristas não são frequentes no Brasil, que não registrou grandes ataques em seu território.
A Argentina, onde vivem 250 mil judeus, foi alvo de ataques contra a embaixada israelense em 1992 e um centro judaico em Buenos Aires em 1994 nos quais 114 pessoas morreram.
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SÃO PAULO
PF prende duas pessoas por planejar 'atos terroristas' contra comunidade judaica no Brasil
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