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Estado de Minas NOVA YORK

Força internacional de segurança para o Haiti deve sair do papel


22/09/2023 19:59
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Após meses de negociação, os detalhes para o envio de uma força internacional de ajuda ao Haiti para combater a violência das gangues começaram a ser definidos, embora não suficientemente rápido como gostaria o governo do pequeno país caribenho, que pediu "urgência" ao Conselho de Segurança da ONU.

"A vida cotidiana do povo haitiano é difícil, portanto o Conselho de Segurança deve agir urgentemente autorizando o envio de uma missão multinacional policial e militar de apoio à segurança", declarou o primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, na Assembleia Geral da ONU.

A violência das gangues, que controlam e impõe o terror na maior parte deste país pobre, deixou mais de 2.400 mortos desde o início do ano, segundo a ONU.

Mais cedo, os Estados Unidos anunciaram que entre "10 a 12 países" apresentaram propostas concretas para a realização desta missão, que tem como objetivo ajudar a polícia haitiana.

Washington contribuirá com apoio logístico, adiantou a secretária de Estado adjunta dos EUA, Victoria Nuland, ao fim de uma reunião ministerial realizada em Nova York para debater a situação do país caribenho.

Nuland não especificou quais países estão dispostos a participar, embora Jamaica, Bahamas e Antígua e Barbuda tenham indicado que o farão. O Quênia, que se propôs a liderar a força, está disposto a contribuir com 1.000 membros das forças de segurança.

Representantes do Quênia, França, Equador, Canadá e de países do Caribe participaram do encontro.

Os Estados Unidos pretendem fornecer apoio logístico, como transporte aéreo, comunicações, acomodação e pessoal médico, mas inicialmente não enviarão militares.

- "Alguns meses" -

Ao abrir a reunião, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse que a missão de apoio "não substituirá os avanços políticos no terreno" e espera que a força possa ser implantada "dentro de alguns meses", pois "não há tempo a perder".

Blinken também anunciou que o governo de Joe Biden pedirá ao Congresso US$ 100 milhões (R$ 490 milhões) para financiar a operação, destinada a apoiar a polícia haitiana no combate às gangues.

Falta apenas a luz verde do Conselho de Segurança da ONU para a sua implementação. No entanto, a força não estará sob a égide da entidade por não se tratar de uma missão de manutenção da paz.

A primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, declarou esta semana na Assembleia Geral que espera que os membros do Conselho de Segurança "não usem o Haiti como peão", já que os haitianos "sofrem nas mãos de muitos países há tempo demais", sem dar mais detalhes.

O projeto de resolução promovido pelos Estados Unidos e pelo Equador deve ser finalizado na próxima semana na ONU, segundo Nuland, que observou que o texto conta com um "forte apoio".

Na tribuna da ONU na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, instou o Conselho de Segurança a "autorizar" o envio de uma força multinacional para o Haiti, uma vez que o povo haitiano "não pode esperar mais".

Seu homólogo queniano, William Ruto, também pressionou na quinta-feira, afirmando que não se pode abandonar a população haitiana, aterrorizada pelas gangues.

Há quase um ano, o primeiro-ministro haitiano Henry, enfraquecido politicamente em um país que não realiza eleições desde 2016, pede o envio de uma força desse tipo.

Nesta sexta-feira, Henry se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que insistiu na necessidade de um "acordo político global" paralelo para que eleições sejam realizadas no Haiti.

No entanto, a comunidade internacional teve dificuldades em encontrar um voluntário para liderar a força policial devido a experiências passadas e aos riscos de se envolver em uma situação complicada.


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