
No áudio, Trump expressa seu desejo de divulgar as informações confidenciais, mas reconhece as restrições impostas a ele como ex-presidente para desclassificar os documentos. A CNN internacional foi a responsável por trazer à tona essas informações. As discussões ocorreram no clube de golfe de Trump em Bedminster, Nova Jersey, e contaram com a presença de duas pessoas envolvidas na autobiografia do ex-chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, além de outros assessores do republicano. Nenhum deles possuía autorização para acessar informações sigilosas do governo.
Um trecho da autobiografia de Meadows, publicada cinco meses após a reunião em Bedminster, descreve um encontro no qual Trump mencionou um relatório de quatro páginas, digitado pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, Mark Milley, o general de maior patente do país. Trump teria afirmado que o documento continha um plano de ataque ao Irã, envolvendo a mobilização de um grande contingente de tropas americanas. O ex-presidente nega qualquer irregularidade.
Ainda não se sabe quem realizou a gravação, que coloca em destaque os processos judiciais contra Trump. O republicano é pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos e tem adotado a estratégia de tentar deslegitimar as investigações das quais é alvo, alegando que são manobras políticas do governo Biden contra um oponente eleitoral.
As investigações lideradas pelo promotor especial Jack Smith visam esclarecer se Trump intencionalmente manteve documentos secretos e enganou os advogados sobre a devolução dos mesmos. Trump alega que agiu dentro da lei ao desclassificar os materiais que reteve após o término de seu mandato. Promotores têm interrogado testemunhas a respeito da gravação e do documento com o plano de ataque ao Irã. Milley também foi procurado pelas autoridades, sendo o oficial de segurança nacional mais poderoso no governo Trump a se reunir com a equipe do procurador especial.
Na última terça-feira (30), o advogado de Trump responsável por buscar documentos em sua mansão em Mar-a-Lago, Flórida, afirmou que foi impedido de realizar buscas no escritório do ex-presidente, onde o FBI posteriormente encontrou materiais confidenciais.
Apesar de ser condenado, Trump não seria impedido de concorrer à Casa Branca. Os Estados Unidos não possuem uma lei equivalente à Ficha Limpa brasileira, que impede a candidatura de pessoas condenadas por um órgão colegiado, que tiveram o mandato cassado ou renunciaram para evitar a cassação. A única maneira de excluí-lo da corrida eleitoral seria se fosse condenado por insurreição nas investigações sobre o ataque ao Capitólio – um cenário considerado altamente improvável.
