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Estado de Minas MADRI

Racismo contra Vini Jr volta a manchar o futebol espanhol


22/05/2023 11:27
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Os insultos sofridos pelo atacante brasileiro Vinícius Júnior no domingo, durante a partida em que o Real Madrid foi derrotado por 1 a 0 pelo Valencia, fora de casa, provocaram uma nova onda indignação, com o retorno do espectro do racismo ao futebol espanhol.

"A primeira coisa é reconhecer que temos um problema de comportamento, de educação, de racismo", disse nesta segunda-feira (22) o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, para quem, "enquanto existir um único torcedor, um único indesejável ou grupo de indesejáveis, que insulte pela condição sexual, cor de pele ou credo, temos um problema grave".

Antes, em nota, a RFEF pediu à Comissão Antiviolência e ao Comitê de Competições (órgãos que podem determinar sanções) que adotem medidas na questão, que podem incluir o fechamento das arquibancadas a cada incidente e dos estádios em caso de reincidência.

Rubiales também pediu que "se uma sanção for determinada, que o próprio clube tem que assumir, que não atrase com procedimentos demorados" para ajudar a combater o problema.

No domingo, Vinícius, frequentemente criticado por enfrentar torcedores e jogadores adversários, se queixou de ter sido chamado de "macaco" na derrota por 1 a 0 do Real Madrid para o Valencia.

- Gritos de "macaco" -

A súmula da partida afirma que "um torcedor" se dirigiu a Vinícius "com gritos de macaco, macaco", assim como demonstram as imagens exibidas na televisão.

"Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na LaLiga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam", escreveu o brasileiro no Twitter.

Expulso após uma discussão com Hugo Duro, jogador do Valencia que não recebeu o cartão vermelho, Vini Jr acrescentou que "o prêmio que os racistas ganham é minha expulsão".

Vinícius, que em janeiro sofreu um ataque de torcedores do Atlético de Madrid que simularam seu enforcamento ao pendurarem um boneco com seu uniforme em uma ponte, pediu "ações e punições".

O presidente de LaLiga, Javier Tebas, reagiu, mas com críticas às acusações do jogador ao campeonato espanhol.

"Antes de criticar e injuriar a LaLiga, é necessário que te informes adequadamente", escreveu Tebas no Twitter, em uma referência à distribuição de poderes no momento de adotar sanções.

No domingo, o Campeonato Espanhol emitiu um comunicado condenando o ocorrido e afirmando que investigaria os fatos e, "caso seja detectado algum crime de ódio, LaLiga adotará as ações legais cabíveis".

- Denúncias -

No mesmo comunicado, a LaLiga recorda ter apresentado nove denúncias por insultos contra o jogador nas últimas duas temporadas ao "Comitê de Competições da RFEF, à Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, à Procuradoria que investiga crimes de ódio e aos tribunais" comuns.

A Comissão Estatal contra a Violência afirmou nesta segunda que já está "analisando as imagens disponíveis para identificar os autores", dos insultos e "propor as correspondentes sanções".

Em 28 de fevereiro, esta Comissão multou em 4.000 euros (4.256 dólares, 21.570 reais) e proibiu a presença em estádios de futebol durante um ano de um torcedor do Mallorca que insultou o brasileiro.

O Valladolid suspendeu dez sócios pelos insultos contra Vini Jr na partida de 30 de dezembro do ano passado contra o Real Madrid.

Após as ofensas do último domingo, o presidente do Valladolid, o ex-atacante brasileiro Ronaldo 'Fenômeno', escreveu: "Vini, conte comigo na sua luta. Na nossa luta".

O Valencia afirma que "expulsará do estádio para sempre" os torcedores que teriam insultado Vinicius.

Além disso, o Ministério Público de Valência iniciou nesta segunda uma investigação por um suposto crime de ódio pelo ocorrido, depois que o Real Madrid, junto com o sindicato de jogadores de futebol, apresentaram uma denúncia à Procuradoria-Geral do Estado.

A equipe merengue apresentará uma ação penal privada, se as investigações do Ministério Público terminarem diante de um juiz.

- Mensagens de apoio -

"O que aconteceu hoje já aconteceu outras vezes, mas não assim. É inaceitável. A LaLiga espanhola tem um problema. Não é o Vinícius. Vinícius é a vítima. Há um problema muito grave", afirmou no domingo o técnico do Real Madrid, o italiano Carlo Ancelotti.

Os colegas de time também divulgaram mensagens de apoio ao brasileiro, assim como diversas personalidades e autoridades.

A segunda vice-presidente do governo espanhol, Yolanda Díaz, afirmou que "gritos racistas em estádios de futebol não representam nosso país, nenhum torcedor de futebol. Continuaremos trabalhando para acabar com o racismo".

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou no Japão: "não é possível que, quase no meio do século XXI, a gente tenha o preconceito racial ganhando força em vários estádios de futebol na Europa".

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, expressou nesta segunda-feira "total solidariedade" ao atacante brasileiro.


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