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Estado de Minas ASUNCIÓN

Dois candidatos de moral conservadora disputam a Presidência do Paraguai


28/04/2023 19:28

Um representa o partido que governa o Paraguai quase que ininterruptamente por cerca de 70 anos e quer gerar meio milhão de empregos. O outro promete lutar contra a corrupção e reduzir os preços da energia à frente de uma coalizão de centro esquerda nas presidenciais deste domingo (30).

Mas Santiago Peña e Efraín Alegre têm algo em comum: eles são contrários ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

- A terceira tentativa de Alegre -

O candidato opositor Efraín Alegre, um advogado de 60 anos, começou muito jovem na militância política contra a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-89), uma das mais longas da América Latina.

Líder do Partido Liberal, parlamentar durante 15 anos, ex-ministro de Obras Públicas durante o governo do esquerdista Fernando Lugo (2008-12), Alegre disputa a Presidência pela terceira vez.

Se vencer, sugeriu que vai analisar as relações entre o Paraguai e Taiwan, que na sua opinião "significam a perda de um dos maiores mercados, que é a China".

Em 2013, ele foi derrotado pelo rico empresário do setor do tabaco Horacio Cartes, padrinho político de Peña, seu atual adversário, e hoje sob sanções dos Estados Unidos por "corrupção, inclusive o pagamento generalizado de propinas a funcionários do governo e legisladores" durante e após seu mandato.

Em 2018, foi derrotado por Mario Abdo Benítez por 3,8%. "Não pudemos vencer as eleições passadas, embora não tenhamos perdido", disse esta semana em entrevista à AFP.

Além disso, afirma que enfrenta o "modelo colapsado" do Partido Colorado. "É o modelo de Horacio Cartes com seu secretário, Santiago Peña, o modelo que é apontado como significativamente corrupto, vinculado ao crime organizado transnacional, à lavagem de dinheiro", afirmou.

Alegre foi detido por 18 dias em 2021 por suposta falsificação de contas do Partido Liberal, acusações que atribuiu a uma "máfia político-judicial".

Ele promete lutar contra a corrupção. "A corrupção rouba de nós seis milhões de dólares por dia. Isso significa mais de 2 bilhões de dólares por ano. Não há condições de exigir do setor privado quando o setor público rouba", diz.

Com base em uma grande riqueza hidrelétrica, com as usinas de Itaipu e Yacyretá (em conjunto com Brasil e Argentina sobre o caudaloso rio Paraná), propõe reduzir as tarifas de energia para incentivar as pequenas e médias empresas e gerar emprego.

Nascido no departamento (estado) de Misiones (sudeste), é o oitavo de 12 irmãos. Tem quatro filhos e é casado com Mirian Irún há 31 anos.

E não quer nem ouvir falar em propostas para legalizar o aborto ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Sou contra o aborto. Todos estes temas estão solucionados na Constituição, estão solucionados na lei, não são tema de debate", indigna-se.

- A tranquilidade de Peña -

Santiago Peña, de 44 anos, é considerado um tecnocrata de pouca experiência política. Estudou na Universidade Columbia, em Nova York, e foi ministro da Economia durante o governo Cartes.

Sua única experiência eleitoral foi em 2017, quando perdeu as primárias do Partido Colorado para Mario Abdo.

Defende as relações do Paraguai com Taiwan e tem sido criticado por sua visão de que o ditador Alfredo Stroessner levou "estabilidade" ao Paraguai, apesar de grupos de direitos humanos atribuírem ao regime entre 1.000 e 3.000 mortos e desaparecidos.

Ele diz querer criar 500.000 empregos, mas não explicou como.

Para atacá-lo, seus adversários o chamam de "o secretário de Cartes".

"Sinto-me muito tranquilo, com muita paz em saber que fiz tudo o humanamente possível", disse à AFP.

Sabe, além, que conta com uma máquina azeitada. "O Partido Colorado é de longe a maior aglutinação política do Paraguai: 55% de todos os eleitores nacionais são filiados ao partido", destacou.

De família liberal, Peña é o caçula de três irmãos. É casado com Leticia Ocampo, com quem tem dois filhos, o primeiro deles nascido quando eram adolescentes.

"Fui pai aos 17 anos. Foi um momento difícil na vida. Não foi planejado, mas me levou a construir sobre princípios muito sólidos do compromisso, da responsabilidade, da honestidade, da integridade, de saber que tem gente que depende de nós. E sem perceber, comecei aos 17 anos a desenvolver uma vocação de serviço", assegurou.

Ele rejeita a legalização do aborto porque parece "o mais fácil, um atalho". E se diz decidido a defender a família "em sua composição tradicional: mamãe, papai e filhos".


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