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Estado de Minas BELFAST

Biden parte de Washington para Irlanda do Norte e Irlanda


11/04/2023 14:18

O presidente americano, Joe Biden, deixou Washington nesta terça-feira (11) para uma viagem à Irlanda do Norte e à Irlanda, onde comemorará o 25º aniversário do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa e celebrará suas raízes familiares.

O avião Air Force One deixou a Base Andrews com destino a Belfast. O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, receberá Biden no aeroporto da cidade, onde se firmou, em 1998, o Acordo da Sexta-Feira Santa, que pôs fim a três décadas de conflitos intercomunitários devastadores.

Em 10 de abril daquele ano, líderes nacionalistas pró-irlandeses - principalmente católicos - e sindicalistas pró-britânicos - sobretudo protestantes - chegaram a um acordo de paz após uma maratona de negociações envolvendo os governos de Londres, Dublin e Washington. A violência desse período deixou 3.500 mortos.

O acordo está sob nova tensão desde que o Reino Unido deixou a União Europeia, o que gerou questões complexas sobre como administrar o comércio na fronteira entre Irlanda do Norte e República da Irlanda. Um acordo chamado "Marco de Windsor" foi alcançado em março para resolver essa disputa.

Antes de embarcar, Biden disse aos jornalistas que a prioridade de sua viagem é garantir que "os acordos da Irlanda e o acordo de Windsor se mantenham".

Incidentes eclodiram na segunda-feira na cidade fronteiriça de Londonderry, quando jovens encapuzados bombardearam veículos da polícia.

"O presidente Biden se preocupa profundamente com a Irlanda do Norte e tem um longo histórico de apoio à paz e à prosperidade" lá, disse John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Irlanda do Norte, a repórteres na segunda-feira, na Casa Branca.

Sunak, do Partido Conservador, quer aproveitar o aniversário do acordo para apelar ao desbloqueio institucional, segundo Downing Street, pelo que a chegada de Biden é um momento chave nas comemorações.

O mandatário americano visitará Belfast, depois a capital da República da Irlanda, Dublin, e também a cidade de Ballina, no noroeste, onde seus ancestrais viveram antes de emigrarem para os Estados Unidos no século XIX.

- Um paz frágil -

Nos anos posteriores à assinatura do acordo, os paramilitares norte-irlandeses foram desarmados; a fronteira terrestre, desmantelada; e as tropas britânicas, retiradas do território.

Mas a paz na Irlanda do Norte talvez esteja mais frágil hoje do que em qualquer outro momento desde que o acordo foi assinado. Desentendimentos ligados ao Brexit e à violência por parte de alguns grupos ameaçam manchar a tão desejada paz na província.

Os serviços de segurança britânicos elevaram o nível de ameaça terrorista no mês passado, após a tentativa de homicídio de um policial.

Na segunda-feira, com a celebração dos 25 anos do acordo, Sunak destacou a necessidade de "se redobrarem" os esforços para cumprir "a promessa feita em 1998 e os acordos que se seguiram".

As instituições, nas quais republicanos e sindicalistas devem compartilhar o poder, estão paralisadas há um ano.

O Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) boicota as instituições há mais de 14 meses para protestar contra as disposições especiais aplicadas à região após o Brexit, em vigor desde o início de 2021.

As medidas mantêm a Irlanda do Norte no mercado único europeu para evitar o retorno de uma fronteira física com a República da Irlanda, membro da União Europeia. O DUP teme, no entanto, que essas disposições afastem a região do Reino Unido e tornem mais provável uma Irlanda unificada, objetivo dos republicanos.

Em entrevista à emissora BBC, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que chegou ao poder em 1998, advertiu que o governo americano precisa ser "cuidadoso e sensível" com os unionistas.

O presidente americano se reunirá com seu homólogo irlandês, Michael Higgins, e com o primeiro-ministro Leo Varadkar, na quinta-feira. Também discursará no Parlamento irlandês e participará de um jantar no Castelo de Dublin.

Na sexta-feira, dirige-se a milhares de pessoas em Ballina, de onde seus antepassados emigraram no século XIX, fugindo da fome, para se estabelecerem na Pensilvânia.

A visita de Biden à Irlanda tem um significado pessoal, mas também tem certa importância política a um ano das eleições presidenciais de 2024, nas quais Biden deseja atrair eleitores que aspiram ao sonho americano.


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