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Estado de Minas MATAMOROS

Dois dos quatro americanos sequestrados no México são encontrados mortos


07/03/2023 20:20

Dois dos quatro americanos sequestrados na última sexta-feira na cidade de Matamoros, no nordeste do México, foram encontrados mortos nesta terça (7), informaram autoridades mexicanas, que suspeitam que foram confundidos com outras pessoas por seus captores - supostos narcotraficantes.

Os outros dos reféns foram resgatados com vida e entregues a autoridades americanas na ponte fronteiriça que liga as cidades de Matamoros e Brownsville, enquanto os mortos serão repatriados "nas próximas horas" após a necropsia, informou Américo Villarreal, governador do estado de Tamaulipas.

Um dos sobreviventes, identificado apenas como Eric N., sofreu um ferimento a bala em uma das pernas, enquanto uma mulher (Latavia N.) saiu ilesa, disse o governador durante uma coletiva de imprensa conjunta com o alto comando das Forças Armadas na Cidade do México.

A imprensa americana os identificou como Latavia Washington McGee e Eric James Williams.

Os nomes dos falecidos ainda não foram revelados.

"O Departamento de Justiça será implacável na busca por justiça em seu nome. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para encontrar" os responsáveis, advertiu o procurador-geral americano, Merrick Garland, citado em um comunicado.

Enquanto isso, o embaixador americano no México, Ken Salazar, afirmou, em nota, que estes fatos "são uma recordação trágica" de que ambos os países devem "fortalecer o combate às organizações criminosas" na fronteira.

Um homem encarregado de vigiar as vítimas foi detido no local onde os americanos eram mantidos em cativeiro, uma casa de madeira no subúrbio de Matamoros.

A entrega dos sobreviventes ocorreu sob um amplo dispositivo que envolveu 20 veículos entre ambulâncias e caminhonetes de agências de segurança, observou uma colaboradora da AFP.

As autoridades mexicanas acreditam que os sequestradores pertençam ao Cartel do Golfo e teriam confundido os americanos com inimigos.

"Tem ganhado força a linha (investigativa) de que foi uma confusão, não foi uma agressão direta. Essa é a linha que temos agora como a mais viável e certamente é a mais correta", assegurou o promotor de Tamaulipas, Irving Barrios, na mesma coletiva.

No entanto, esclareceu que todas as hipóteses ainda estão em aberto.

- Vivos até a segunda-feira -

Os americanos tinham chegado a Matamoros na manhã de sexta-feira em uma van que duas horas depois foi atacada por homens armados, segundo interrogatórios feitos nesta terça. Uma mexicana de 33 anos morreu perto do local dos fatos, possivelmente vítima de bala perdida, segundo as investigações.

O governador de Tamaulipas informou que "não há nenhum fundamento para pensar" que as vítimas tivessem "alguma relação" com o FBI, a polícia federal americana, como se chegou a especular nas redes sociais.

Segundo ele, os americanos estavam no México porque um deles planejava se submeter a uma cirurgia estética.

As autoridades mexicanas evitaram antecipar hipóteses sobre as circunstâncias de quando e onde os reféns morreram.

"Assim que for feita a necropsia, poderemos determinar quais foram as causas das mortes, os tempos e mais" elementos, afirmou o promotor.

Segundo as investigações preliminares, todos os sequestrados estavam vivos até pelo menos a segunda-feira.

"Durante os três dias que se seguiram ao ato criminoso, as quatro pessoas privadas de liberdade foram transferidas para diversos lugares, entre eles uma clínica, a fim de criar confusão e evitar os trabalhos de resgate", afirmou o governador.

Villarreal disse que as averiguações para encontrar os responsáveis serão apoiadas pelos Estados Unidos, que ofereceram 50 mil dólares (cerca de 260 mil reais) para localizar as vítimas e prender os sequestradores.

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, lamentou as mortes dos reféns. "Enviamos nossas condolências às famílias das vítimas, aos amigos, ao povo dos Estados Unidos, ao governo dos Estados Unidos (...) Vamos continuar nosso trabalho para garantir a paz, a tranquilidade", afirmou.

"Vamos procurar os responsáveis, vamos punir, como foi feito quando, lamentavelmente, assassinaram mulheres e crianças (...) da família LeBarón, Miller, Langford. Todos os envolvidos foram presos", advertiu, em alusão à chacina de seis melhores e três mulheres de uma comunidade mórmon mexicano-americana, estabelecida no centro de Sonora (norte), em novembro de 2019.

O México soma 350 mil homicídios e dezenas de milhares de desaparecidos desde que, em 2006, foi mobilizada uma polêmica ofensiva antidrogas, com participação militar e apoio dos Estados Unidos.

- Área de alto risco -

Matamoros é uma das cidades mais afetadas pela violência ligada ao narcotráfico e outras formas de crime organizado. As estradas de Tamaulipas estão entre as mais perigosas do México.

De fato, há vários meses os Estados Unidos mantêm um alerta para que seus cidadãos não viajem para aquele estado, devido a sequestros e outros crimes. Segundo esse alerta, a atividade do crime organizado inclui tiroteios, assassinatos, roubos, sequestros, desaparecimentos forçados, extorsões e agressões sexuais.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, reforçou ontem aos cidadãos dos Estados Unidos que o alerta continua em vigor. "Não viajem. Encorajamos os americanos a seguirem este conselho", disse.

Funcionários do consulado americano estão proibidos até mesmo de trafegar nas estradas secundárias da região.


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