O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinaram o acordo em um hotel em Windsor, no oeste de Londres.
Os dois devem conceder uma entrevista coletiva conjunta no mesmo local para informar mais detalhes do acordo.
Ao deixar Bruxelas, Von der Leyen havia dito que estava "com pressa para virar a página e abrir um novo capítulo com o nosso parceiro e amigo", o Reino Unido.
Sunak também comemorou o acordo e a abertura de "um novo capítulo" com o bloco.
"É o começo de um novo capítulo em nossas relações", disse.
O acordo põe fim às longas negociações entre Londres e Bruxelas, lideradas por três primeiros-ministros britânicos e impactado pela guerra na Ucrânia.
Também é considerado um passo essencial para a estabilização da Irlanda do Norte, ainda marcada por três décadas de conflito armado, e para a relação entre o Reino Unido e a UE.
O protocolo para a Irlanda do Norte, assinado em janeiro de 2020, era o principal ponto de divergência entre Londres e Bruxelas três anos após a saída do Reino Unido da União Europeia.
O texto regulamenta o trânsito de produtos entre o restante do Reino Unido e a Irlanda do Norte, a única fronteira terrestre da nação com a UE.
O protocolo pretendia evitar a existência de uma fronteira terrestre entre Irlanda e Irlanda do Norte, algo que prejudicaria o acordo de paz assinado em 1998, após três décadas de violência, ao mesmo tempo que protegia o mercado único europeu.
Porém, a medida apresenta problemas práticos ao impor controles alfandegários às mercadorias procedentes da Grã-Bretanha que chegam à Irlanda do Norte, mesmo quando estas permanecem na província britânica.
- Oposição de Unionistas -
O protocolo gerou tensões entre a UE e o Reino Unido, mas também se tornou um problema interno para Rishi Sunak, que enfrenta a oposição de defensores ferrenhos do Brexit e de membros do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês), que rejeitam qualquer questionamento à presença da Irlanda do Norte no Reino Unido.
Estes últimos rejeitam qualquer aplicação de fato da legislação europeia na província britânica e bloqueiam há um ano o funcionamento do Executivo local.
Para apaziguar os unionistas, Londres ameaçou no ano passado uma retirada unilateral do acordo, provocando revolta da Irlanda e da UE, que mencionaram uma possível guerra comercial.
Sunak deve ter uma reunião com os principais ministros de seu gabinete antes da entrevista coletiva com Von der Leyen.
Em seguida, o primeiro-ministro retornará a Londres para discursar aos deputados na Câmara dos Comuns.
Von der Leyen planeja se encontrar nesta segunda-feira com o rei Charles III em Windsor. O encontro, no entanto, foi criticado por alguns, descontentes pelo governo envolver o rei em discussões políticas.
"O rei fica feliz em encontrar qualquer líder estrangeiro que visite o Reino Unido, e o governo o aconselha a fazê-lo", disse o Palácio de Buckingham em um comunicado.
ITV
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LONDRES
Reino Unido e UE chegam a acordo sobre a Irlanda do Norte
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