Tiros com balas reais foram disparados na Zona Verde, onde está localizado o Palácio Republicano que foi invadido, constataram jornalistas da AFP.
Testemunhas disseram à AFP que os responsáveis pelo tiroteio eram partidários do Quadro de Coordenação, rival pró-Irã dos sadristas.
Além disso, as forças de segurança dispararam bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os sadristas nas entradas da Zona Verde, informou uma fonte de segurança à AFP.
Pouco depois do anúncio do clérigo, dezenas de partidários de Sadr invadiram o Palácio Republicano. Dentro, os manifestantes descansavam em sofás em uma sala de reuniões, outros agitavam bandeiras iraquianas e tiravam fotos, enquanto outros se refrescavam em uma piscina no jardim, segundo um fotógrafo da AFP.
Milhares de outros manifestantes leais a Sadr - muitos gritando "Moqtada, Moqtada" - dirigiam-se à Zona Verde.
O exército anunciou um toque de recolher em todo o país a partir das 16h00 (13h00 de Brasília).
Desde as eleições legislativas de outubro de 2021, o Iraque vive em um bloqueio político, que deixou o país sem novo governo, primeiro-ministro ou presidente, devido ao desacordo entre as facções para formar uma coalizão.
- Retirada definitiva -
Sadr - um pregador com milhões de seguidores dedicados que já liderou uma milícia contra as forças dos EUA e o governo iraquiano após a deposição do ditador Saddam Hussein - anunciou no Twitter que estava se aposentando da política.
"Decidi não me intrometer em assuntos políticos. Portanto, estou agora anunciando minha aposentadoria", disse Sadr, um veterano ator no cenário político do país devastado pela guerra, embora ele próprio nunca tenha estado diretamente no governo.
Ele acrescentou que "todas as instituições" ligadas ao seu movimento sadrista serão fechadas, exceto o mausoléu de seu pai, assassinado em 1999, e outras instalações patrimoniais.
Sua declaração veio dois dias depois que ele disse que "todos os partidos", incluindo o seu, deveriam renunciar ao governo para ajudar a resolver a crise política.
Seu bloco liderou as eleições do ano passado, com 73 cadeiras, mas sem maioria. Em junho, seus deputados renunciaram a seus cargos na tentativa de quebrar o impasse, o que levou um bloco xiita rival, o Quadro de Coordenação pró-Irã, a se tornar o principal órgão do Parlamento.
Desde então, Sadr usou outras táticas de pressão, incluindo uma oração em massa de dezenas de milhares de seus seguidores em 5 de agosto.
Sadr exigiu que o Parlamento fosse dissolvido, mas no sábado declarou que é "mais importante" que "todos os partidos e figuras que fizeram parte do processo político" desde a invasão liderada pelos EUA em 2003 "parem de participar".
"Isso inclui o movimento sadrista", declarou, acrescentando que estava disposto a assinar um acordo nesse sentido "dentro de 72 horas".
Ao longo dos anos, Sadr assumiu várias posições e depois recuou.
Os partidários de Sadr protestam do lado de fora do Parlamento iraquiano há semanas, tendo inicialmente invadido o prédio para pressionar por suas demandas.
Fizeram-no depois de o Quadro de Coordenação ter nomeado um candidato que consideravam inaceitável para o cargo de primeiro-ministro.
O Quadro quer que um novo chefe de governo seja nomeado antes da realização de novas eleições.
O primeiro-ministro interino Mustafa al-Kadhemi convocou conversas de crise com os líderes dos partidos no início deste mês, mas os sadristas as boicotaram.
Os iraquianos dizem que as disputas políticas internas não têm nada a ver com suas lutas diárias.
O Iraque vive décadas de conflito e corrupção endêmica. Rico em petróleo, mas com infraestrutura em deterioração, desemprego, cortes de energia e serviços públicos em colapso, o país agora também sofre com a grave escassez de água causada por uma seca que causou estragos em grandes partes do país.
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BAGDÁ
Protestos e disparos no Iraque após anúncio de retirada política de líder xiita Sadr
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