Segundo a polícia, o Clã oferece entre 1.000 e 5.000 dólares por efetivo morto, ao estilo do falecido barão da cocaína Pablo Escobar na década de 1990, quando este lançou o chamado "plano pistola" em sua guerra aberta contra o Estado.
Vinte e cinco efetivos já morreram neste ano, 12 deles em julho. Outros 60 ficaram feridos em dezenas de ataques a tiros ou com explosivos nos 12 departamentos onde a organização mafiosa atua.
Formado por remanescentes dos grupos paramilitares sanguinários de extrema direita, o grupo anunciou uma arremetida no começo de maio em resposta à extradição para os Estados Unidos de seu chefe, Dairo Antonio Usuga, vulgo Otoniel.
Os ataques se intensificaram às vésperas da posse, em 7 de agosto, do presidente esquerdista Gustavo Petro, que propôs "negociações jurídicas" para que os exércitos do narcotráfico se entreguem em troca de benefícios penais. "Estão fazendo isso com o único propósito de se posicionarem para negociações políticas. Isso não se pode aceitar", ressaltou o ministro da Defesa, Diego Molano.
Cinco membros do clã foram mortos, e uma dezena, capturados, na contra-ofensiva da polícia.
- Capitulação incerta -
Após a vitória sem precedentes da esquerda nas eleições de 19 de junho, a força pública foi alvo de 75 ataques, segundo dados do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac).
O clã "escala a violência para se apresentar como um grupo que pode oferecer, em uma possível negociação, uma desescalada", explicou à AFP o diretor do Cerac, Jorge Restrepo.
Em 2018 Otoniel expressou vontade de se submeter à Justiça. O então presidente colombiano, Juan Manuel Santos, deu início ao processo, mas a rendição não se concretizou e o Clã continuou traficando cocaína.
Quando autoridades capturaram Otoniel em outubro passado, após meses de perseguição na floresta, o presidente direitista Iván Duque foi rápido em declarar o fim do Clã, porém o grupo se mostrou mais ativo do que nunca. Segundo estimativas independentes, o poderoso braço do narcotráfico conta com cerca de 3.000 membros, entre combatentes e colaboradores.
Uma entrega coletiva parece distante, "a menos que haja um incentivo suficiente para esses grupos, algo que lhes permita evitar a extradição ou preservar a riqueza", comentou Jorge Restrepo.
Após quase cinco décadas de luta conjunta contra o narcotráfico, a Colômbia continua sendo o principal produtor de cocaína do mundo, e os Estados Unidos, o principal consumidor.
O Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), última guerrilha reconhecida no país, já aceitou a proposta de Petro de retomar as negociações de paz. Membros da coalizão governista estenderam a oferta aos rebeldes que se afastaram do acordo de paz que desarmou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas) em 2017.
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BOGOTÁ
Grupo de Otoniel arremete contra policía da Colômbia antes de mudança no governo
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