A gigante russa Gazprom informou que reduzirá as entregas diárias de gás para a Europa através do gasoduto Nord Stream (que liga Rússia e Alemanha) para 33 milhões de metros cúbicos a partir desta quarta-feira, devido à manutenção de uma turbina.
No entanto, para o governo alemão, não há "razão técnica" para um novo corte nos embarques, sendo uma decisão "política" e um "pretexto" para pressionar o Ocidente no contexto do conflito na Ucrânia.
Em sua mensagem diária, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, pediu à Europa que "responda" à "guerra do gás" da Rússia, reforçando as sanções europeias contra Moscou.
"Hoje ouvimos novas ameaças de gás contra a Europa. Trata-se de uma guerra aberta de gás que a Rússia está travando contra uma Europa unida", acusou Zelensky.
"É por isso que é preciso responder. Não se deve pensar em como recuperar uma turbina, mas em reforçar as sanções", acrescentou.
- "Esta semana" -
Paralelamente, o ministro de Infraestrutura da Ucrânia, Oleksandr Kubrakov, afirmou em coletiva de imprensa que as exportações de grãos ucranianos podem ser retomadas "esta semana".
O acordo, assinado sob os auspícios da ONU e da Turquia, prevê a criação de "corredores seguros" para que os navios mercantes possam transitar pelo Mar Negro e deverá permitir a exportação de entre 20 e 25 milhões de toneladas de grãos bloqueadas na Ucrânia.
Também deverá facilitar os envios de produtos agrícolas russos e ajudar a mitigar a fome que, de acordo com a ONU, assola 345 milhões de pessoas no mundo.
O ministro turco da Defesa, Hulusi Akar, expressou a Kubrakov por telefone a "satisfação" da Turquia diante da retomada das exportações.
"É importante que o primeiro navio possa partir o quanto antes", afirmou.
"Os trabalhos continuam intensamente no Centro Conjunto de Coordenação", completou Akar, em referência às instalações exigidas por Moscou para inspecionar a carga dos navios.
De acordo com Kubrakov, o principal obstáculo é o risco de bombardeios russos, como o ocorrido no sábado contra o porto de Odessa, no Mar Negro.
- "Garantir a segurança" -
A Rússia afirmou no domingo que destruiu um prédio militar e armas ocidentais nesse porto vital para a exportação de grãos.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reiterou que os ataques foram direcionados "contra a infraestrutura militar" e "não têm nada a ver com a infraestrutura usada para a implementação do acordo de exportação de grãos".
"Por isso não se deve impedir o início do processo de carregamento", acrescentou.
Kubrakov pediu tanto à Turquia como à ONU que garantam a segurança dos comboios ucranianos. "Se as partes não garantirem a segurança, não funcionará", alertou.
Ucrânia e Rússia são responsáveis por cerca de 30% das exportações mundiais de trigo. O conflito, iniciado com a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro, atingiu especialmente o continente africano, onde os preços dos grãos dispararam.
O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, está atualmente em turnê por vários países da África para tranquilizar as nações dependentes dos cereais ucranianos.
O acordo de Istambul não impediu que a Rússia continuasse a bombardear a linha de frente da guerra durante o fim de semana, quando o conflito entrou em seu sexto mês.
- Combates continuam -
Segundo o Estado-Maior ucraniano, os bombardeios continuaram nesta segunda-feira em Mykolaiv (sul), na região de Kherson (sul), na região de Kharkov (nordeste) e nas províncias de Donetsk e Lugansk, parcialmente controladas por separatistas pró-russos desde 2014.
Na região de Kherson, ocupada principalmente por tropas russas, "podemos falar de uma reviravolta no terreno. As forças armadas ucranianas tiveram a vantagem em operações recentes", disse no domingo o assessor do chefe da administração militar, Sergiy Khan.
"Estamos passando de ações defensivas para ações contra-ofensivas", acrescentou, enfatizando que a região será "definitivamente liberada" até setembro.
A cidade de Kherson caiu para as tropas russas em 3 de março. Foi a primeira grande cidade a cair e é a porta de entrada para a península da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014.
Nesse contexto, Zelensky pediu aos ucranianos que permaneçam "unidos e trabalhando juntos pela vitória", antes de "celebrar pela primeira vez o dia da soberania da Ucrânia, em 28 de julho".
"Até os ocupantes admitem que venceremos. Ouvimos isso em suas conversas, o tempo todo, no que eles dizem aos seus entes queridos quando os contatam", acrescentou o líder ucraniano.
Enquanto isso, o Reino Unido entrou em acordo com a Ucrânia para sediar a próxima edição da competição de música Eurovision em 2023.
Kiev venceu o concurso em 2022, mas, devido ao conflito, "não poderá sediar o evento", informou a ministra da Cultura britânica, Nadine Dorries, em comunicado.
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KIEV
Ucrânia pronta para retomar exportação de grãos, Rússia reduz envio de gás para a Europa
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