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Estado de Minas LONDRES

Candidatos conservadores britânicos se acusam de fraqueza perante a China


25/07/2022 10:21

Envolvidos em uma corrida contra o tempo para convencer o eleitorado, os dois candidatos à sucessão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, trocaram acusações de fraqueza contra a China, antes de seu primeiro duelo televisionado a ser realizado na tarde desta segunda-feira (25).

Cerca de 200.000 membros do Partido Conservador decidirão até 2 de setembro entre a ministra das Relações Exteriores, Liz Truss, e o ex-ministro das Finanças Rishi Sunak, antes que o vencedor seja anunciado em 5 de setembro.

Truss, de 46 anos, está à frente nas pesquisas entre esse eleitorado, majoritariamente masculino e mais velho.

Sunak, de 42, espera superar sua adversária, graças à campanha-relâmpago que marcará a política britânica em agosto.

O primeiro debate televisionado está marcado para hoje, às 20h GMT (17h de Brasília), na BBC. Um segundo está programado para terça, no canal TalkTv. Ambos servirão de prelúdio para uma série de duelos diante das câmeras e dos eleitores nos próximos dias.

Um ex-banqueiro considerado mais moderado, Sunak lançou uma série de promessas nas últimas horas para mostrar sua firmeza em questões como a imigração.

O aspirante a primeiro-ministro se posicionou sobre o trabalho de Truss, considerando que a classe política britânica "estendeu por muito tempo o tapete vermelho" para Pequim e "ignorou as atividades malévolas da China", descritas como "a maior ameaça ao longo prazo" para o Reino Unido.

Acusando a China de "roubar nossas tecnologias e se infiltrar nas nossas universidades", Sunak promete, se eleito, fechar os 30 Institutos Confúcio estabelecidos na ilha.

Financiados pelo governo chinês, esses centros visam a promover a língua e a cultura do gigante asiático. Alguns parlamentares conservadores suspeitam, no entanto, de que sejam usados para fins de propaganda e de espionagem.

Em um comunicado, Sunak acredita que os chineses "apoiam a invasão fascista de Putin à Ucrânia, comprando seu petróleo, e estão tentando intimidar seus vizinhos, incluindo Taiwan".

"Sobrecarregam os países em desenvolvimento com dívidas intransponíveis e as usam para confiscar seus bens, ou ameaçá-los", enfatizou.

"Torturam, detêm e doutrinam seu próprio povo, especialmente em Xinjiang e Hong Kong, violando os direitos humanos", continuou o ex-ministro das Finanças.

"Vou impedir a China de assumir nossas universidades e vou fornecer às empresas e instituições públicas do Reino Unido a segurança cibernética de que precisam", prometeu Sunak.

- Propostas "surpreendentes" -

As promessas de Sunak incluem ainda a criação de uma aliança internacional, nos moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), para "se defender" dos ataques cibernéticos da China, desenvolver apoio ao MI5 - o serviço de Inteligência britânico -, a empresas e a universidades para "combater a espionagem industrial chinesa" e até evitar compras pela China em setores-chave.

Ao acusar a diplomacia britânica de inação contra Pequim, apesar do endurecimento dos últimos anos, o ex-ministro irritou Pequim.

O porta-voz diplomático chinês, Zhao Lijian, "recomendou aos políticos britânicos que evitem comentários irresponsáveis sobre a chamada 'teoria da ameaça chinesa', que não pode resolver seus problemas".

Já o porta-voz do Ministério britânico das Relações Exteriores, Iain Duncan Smitz, qualificou as propostas do candidato conservador como "surpreendentes", afirmando que o Ministério das Finanças, sob a autoridade de Sunak, pressionou fortemente para selar um acordo econômico com China.

Desde a renúncia de Boris Johnson, após meses de escândalos, os dois candidatos se chocaram, principalmente, em questões fiscais.

Truss promete cortes de impostos, enquanto Sunak quer, primeiro, reduzir a alta inflação que causou uma queda histórica no poder aquisitivo das famílias britânicas.

O próximo chefe de Governo - o quarto desde o referendo do Brexit em 2016 - também terá de lidar com as repercussões da saída da União Europeia, assim como da guerra na Ucrânia.


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