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Estado de Minas OURÉM

Portugal volta a sofrer com incêndios e desolação


13/07/2022 18:12

"Parecia o fim do mundo", diz, suspirando, Adelino Rodrigues, ao falar das chamas que consumiram sua aldeia, na região central de Portugal, um país onde continua muito viva a lembrança dos incêndios mortais de 2017.

Em Leiria, seu povoado, "tudo queimou ontem, exceto as casas, pois as pessoas são muito corajosas e elas mesmas as defenderam. Os bombeiros chegaram muito depois", contou à AFP este agricultor de 77 anos.

De capacete e camisa xadrez, ele conta que o que o preocupa agora são seus cinco hectares de vinhedos, na face de uma colina.

"É muito triste... Uma vida toda trabalhando para isto. É desolador, não tenho palavras", diz, observando a fumaça espessa que emana de um maciço de eucaliptos.

O incêndio que está devastando desde o fim de semana passado esta área do distrito de Santarém reavivou-se na terça-feira, alimentado por temperaturas excepcionalmente altas.

A região, situada a cerca de 130 km de Lisboa, registrou nesta quarta temperaturas superiores a 43 ºC (entre as mais altas do país).

Em meio a um céu tomado pela fumaça, dois hidroaviões e um helicóptero iam e vinham jogando água sobre os focos mais quentes.

- Riscos multiplicados por seis -

As imagens dos bombeiros e dos moradores lutando contra os incêndios se tornaram frequentes em Portugal, um país traumatizado pelas chamas de 2017, que deixaram mais de uma centena de mortos.

Portugal conta com uma extensa massa florestal, que abrange 36% de seu território, segundo o Banco Mundial. Um quarto da mesma é composta por eucaliptos, muito lucrativos para a poderosa indústria de celulose, mas que costumam ficar na alça de mira por serem altamente inflamáveis.

"Moramos em uma região do mundo onde a mudança climática vai agravar sistematicamente as condições nos próximos anos", insistiu na terça o primeiro-ministro, António Costa.

"Os estudos indicam que, embora o mundo consiga respeitar os objetivos do acordo de Paris, o risco de incêndios florestais em Portugal se multiplicaria, no mínimo, por seis", ressaltou. O pacto citado prevê limitar a elevação das temperaturas no planeta a menos de 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, e idealmente a 1,5 ºC.

Para reforçar a mobilização dos serviços de resgate, de 13.000 efetivos no total, o governo português decretou entre a segunda e a sexta-feira "estado de contingência", o que aumenta seus poderes.

Na região de Aveiro, no norte de Portugal, também há outro incêndio ativo. Por enquanto, deixou um morto, segundo os serviços de resgate.

"Os bombeiros encontraram uma vítima carbonizada no meio da área que queimou" na noite de terça-feira, no município de Murtosa, disse à AFP o comandante José Miranda, da Defesa Civil, sem dar maiores detalhes.

Segundo o jornal Correio da Manhã, o corpo seria de uma mulher de 50 anos. O incêndio foi declarado em um campo de milho e foi rapidamente controlado.

No fim da tarde desta quarta, três focos importantes continuam mobilizando cerca de 1.500 bombeiros no centro do país. Mas as chamas também avançavam em Palmela, 50 km ao sul de Lisboa, e perto de Faro, capital turística da região do Algarve, no sul do país.

Desde a quinta-feira passada, os serviços de resgate registraram cerca de 60 feridos graves e pelo menos umas 30 casas sofreram danos pelo fogo, segundo um balanço provisório da Defesa Civil. Além disso, mais de 700 pessoas tiveram que ser evacuadas, segundo a mesma fonte.

"A situação é grave, extrema", destacou o comandante nacional da Defesa Civil, André Fernandes.


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