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Estado de Minas NAÇÕES UNIDAS

Brasil pede na ONU combate à desinformação, que prejudica missões de paz


12/07/2022 16:09

O Brasil propôs, nesta terça-feira (12) na ONU, melhorar a "comunicação estratégica" para combater a desinformação e as notícias falsas que prejudicam as missões de paz, especialmente em alguns países da África.

O chanceler Carlos Alberto Franco França promoveu nesta terça o primeiro debate sobre o tema no Conselho de Segurança da ONU, instância que o Brasil preside durante este mês e à qual são subordinadas as missões de paz da organização.

"É hora de darmos prioridade à comunicação estratégica", pois é "fundamental para garantir o apoio político e público para que as missões de paz cumpram seus mandatos com eficácia", justificou o chefe do Itamaraty.

Em uma época em que a desinformação e as notícias falsas se tornaram uma "arma de guerra a mais", para o secretário-geral da ONU, António Guterres, a comunicação é, "mais do que nunca, central para o sucesso do nosso trabalho".

"Sabemos que a desinformação não só é enganosa, é perigosa e potencialmente mortal", pois "fomenta abertamente a violência contra nosso pessoal e nossos parceiros e transforma nossa bandeira azul de um símbolo de segurança em um símbolo de ataque", disse Guterres no fórum.

Segundo um estudo recente, cerca de metade dos capacetes azuis consideram que a desinformação e as notícias falsas têm repercussões nos resultados das operações e ameaçam sua segurança.

Um dos exemplos é uma carta recente transmitida pelas redes sociais no Mali, que a imprensa local se encarregou de repercutir, segundo a qual os capacetes azuis teriam colaborado com grupos armados.

Neste país, a MINUSMA (Missão Multidimensional Integrada da ONU para a Estabilização do Mali) se tornou uma das mais perigosas: 177 integrantes morreram em atos hostis, quatro deles desde junho.

É que o entorno no qual operam os capacetes azuis "é mais perigoso hoje do que em qualquer outra época recente" e eles enfrentam "terroristas, criminosos, grupos armados e seus aliados", que têm "acesso a armas modernas poderosas e muitos com interesse em que o caos se perpetue", lembrou Guterres.

Para o Brasil, que participou de 41 missões de paz no mundo e mobilizou cerca de 55.000 efetivos, a imagem das missões de paz não está em jogo. São "fundamentais para conter conflitos, proteger civis e reconstruir as instituições", disse o ministro.

- 'Sem capacidade de escuta' -

Jenna Russo, diretora de pesquisas do Instituto Internacional para a Paz (IPI, na sigla em inglês), lembrou que uma das críticas das organizações da sociedade civil é que os capacetes azuis mal têm "capacidade de escuta".

O chefe da Missão de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), que conta com 13.000 efetivos no país, o general brasileiro Marcos de Sá Affonso da Costa, também lembrou estudos que mostram a percepção "paupérrima" que a população tem dos resultados da missão e da animosidade que gera em algumas partes do país, o que "impede alguns dos nossos deslocamentos".

As campanhas de desinformação das milícias, assegurou, "geram mudanças fundamentais no caráter da guerra e as operações de paz já têm sido afetadas". Por isso, é preciso contrabalançar estas desinformações falando diretamente com os líderes locais, a mídia nacional e regional e os dirigentes governamentais em todos os níveis.

"Estas vozes desempenham um papel crucial para contrabalançar as críticas, explicando o objetivo, os limites do nosso mandato, e nossa política sobre os direitos humanos", prosseguiu.

Após muitas idas e vindas, o Brasil conseguiu o aval dos 15 membros do Conselho de Segurança para um documento de 17 pontos no qual pede ao secretário-geral que apresente, no mais tardar em 15 de abril de 2023, uma revisão da estratégia de comunicação, que avalie a situação atual e o impacto nas comunidades locais, identifique os problemas e os desafios e proponha medidas para melhorá-los.


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