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Estado de Minas KASHIHARA

Ex-premiê japonês Shinzo Abe é assassinado a tiros durante comício


08/07/2022 08:56

O ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe morreu nesta sexta-feira (8) no hospital, poucas horas depois de ser vítima de um ataque com arma de fogo durante um ato de campanha em Nara (oeste do país), um crime que provocou grande comoção no Japão e no exterior.

"Shinzo Abe foi transportado (para o hospital) às 12h20. Ele estava em estado de parada cardíaca na chegada. A reanimação foi administrada. No entanto, infelizmente, ele faleceu às 17h03" (5H03 de Brasília), afirmou Hidetada Fukushima, coordenador de Medicina de Emergência no hospital da Universidade de Medicina de Nara.

O ataque contra o político mais famoso do país, de 67 anos, aconteceu durante um comício para as eleições do Senado de domingo, apesar das rígidas leis no país contra a posse de armas.

O atual primeiro-ministro, Fumio Kishida, abandonou a campanha eleitoral e viajou a Tóquio de helicóptero.

"Estava rezando para que ele pudesse ser salvo e acabo de tomar conhecimento da notícia de sua morte", disse Kishida, emocionado.

"Não tenho palavras (...) que sua alma descanse em paz" acrescentou. Antes da confirmação da morte, Kishida chamou o ataque de "barbárie, absolutamente imperdoável".

- Tiros em ato eleitoral -

O ataque aconteceu pouco antes do meio-dia em Nara, onde Abe discursava como parte da campanha, quando foram ouvidos tiros, informaram o canal NHK e a agência de notícias Kyodo.

Um homem foi imediatamente desarmado e preso. De acordo com vários meios de comunicação locais, o suspeito é um japonês de 41 anos que já integrou Força de Autodefesa Marítima Japonesa, a Marinha do país.

Imagens da NHK mostraram policiais usando equipamentos de proteção entrando em um prédio identificado pela emissora como a residência do suspeito em Nara na tarde desta sexta-feira.

A televisão também exibiu imagens mostrando Abe de pé em um palco quando é possível ouvir um grande barulho e observar fumaça.

"Ele estava fazendo um discurso e um homem chegou por trás", disse uma jovem que acompanhava o comício.

"O primeiro tiro soou como uma arma de brinquedo. Ele (Abe) não caiu, mas então aconteceu um estrondo alto. O segundo tiro foi mais visível, dava para ver a explosão e a fumaça", acrescentou.

Abe caiu e sangrava pelo pescoço, afirmou uma fonte do Partido Liberal Democrata (PLD) à agência Jiji.

"Depois do segundo tiro, as pessoas o cercaram e ele recebeu uma massagem cardíaca", disse a testemunha.

Líderes locais do PLD afirmaram que não receberam nenhuma ameaça antes do ataque.

- O primeiro-ministro mais jovem -

Abe tinha 52 anos quando assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2006 e se tornou a pessoa mais jovem a ocupar a posição.

Seu primeiro mandato foi turbulento, marcado por escândalos e disputas, e terminou com sua renúncia abrupta após um ano.

Ele voltou a ser candidato e retornou ao cargo de primeiro-ministro como um salvador do país em dezembro de 2012.

Afetado pelos efeitos do tsunami em 2011 e o desastre nuclear de Fukushima, o Japão encontrou em Abe um líder considerado confiável.

Abe ficou famoso no exterior por sua estratégia de recuperação econômica, conhecida como "abenomics", iniciada em 2012, na qual misturou flexibilização monetária, grande recuperação orçamentária e reformas estruturais.

O ataque e a morte de Abe provocaram diversas reações internacionais.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, condenou o assassinato e lamentou a perda de um "líder visionário".

O presidente russo, Vladimir Putin, citou uma "perda irreparável", enquanto os líderes da União Europeia se declararam chocados com a morte "brutal" do ex-primeiro-ministro japonês, que chamaram de "grande democrata".

- Assassinato inédito -

"No Japão não acontecia algo do tipo há mais de 50 ou 60 anos", declarou à AFP Corey Wallace, especialista em política japonesa da Universidade de Kanagawa.

De acordo com o analista, o último ataque parecido no país foi o assassinato em 1960 de Inejiro Asanuma, o líder do Partido Socialista Japonês, esfaqueado por um estudante ligado à extrema-direita.

O Japão tem uma das legislações mais rígidas no mundo em termos de controle de armas de fogo.

A obtenção de permissão para o porte de armas é um processo longo e complicado, mesmo para os cidadãos japoneses, que devem primeiro conseguir uma recomendação de uma associação de tiro e depois se submeter a estritos controles da polícia.


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