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Estado de Minas QUITO

Indígenas e governo do Equador iniciam negociações após manifestações


07/07/2022 17:32

O governo do Equador e organizações indígenas iniciaram nesta quinta-feira (7) em Quito negociações com o objetivo de chegar a um acordo sobre as exigências apresentadas durante os protestos recentes, como as de mais subsídios aos combustíveis para os trabalhadores rurais.

"Aprovamos no dia de hoje uma metodologia, aprovamos um processo operacional", declarou à imprensa Leonidas Iza, presidente da influente Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie) e líder das manifestações, que estenderam-se por 18 dias.

A Conaie, a maior organização indígena do país, teve uma forte participação nas manifestações que levaram à queda de três presidentes entre 1997 e 2005.

O encontro, no qual foram definidas as mesas de trabalho, deu-se através da mediação da Igreja católica, cuja intervenção facilitou o encerramento das manifestações há uma semana.

Um novo encontro das delegações acontecerá na próxima quarta-feira, quando será tratado o aumento dos subsídios aos combustíveis nas regiões rurais e o perdão de dívidas superiores a 3 mil dólares dos camponeses com o governo, o que custará 700 milhões de dólares por ano aos cofres do país, que atravessa grave crise econômica.

Após a assinatura de uma "ata de paz" há uma semana, o governo do presidente Guillermo Lasso aceitou baixar em até 8% os preços dos combustíveis mais populares, passando o valor do galão de diesel de 1,90 para 1,75 dólares e o de gasolina de 2,55 a 2,40 dólares.

O ministro do Governo (Casa Civil), Francisco Jiménez, que representa o Executivo nas negociações, considerou que não há motivos "para pensar que as coisas podem encalhar" durante as conversas, que vão durar 90 dias.

"Houve uma série de coincidências sobre a necessidade de avançar neste diálogo com boa fé, com transparência", declarou Jiménez à imprensa.

Os protestos contra o alto custo da vida começaram em 13 de junho e deixaram seis mortos, um deles um militar, e mais de 600 feridos. A principal exigência foi a redução de preços dos combustíveis em até 21%.

Os indígenas apresentaram um documento com dez pedidos, alguns dos quais foram atendidos pelo Executivo em meio às manifestações, que mobilizaram cerca de 10 mil indígenas em Quito e outros milhares no restante do país.

"Viemos aqui com dignidade, viemos por nossos direitos e esperamos que de ambos os lados possamos criar condições para que o povo do Equador seja quem realmente vença", acrescentou Iza.

O Executivo estima que o país tenha perdido cerca de 1 bilhão de dólares durante os protestos, que incluíram a paralisação de campos petrolíferos e bloqueios de estradas.


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