UAI
Publicidade

Estado de Minas SLOVIANSK

Retirada de civis no Donbass ucraniano segue ante implacável avanço russo


06/07/2022 12:23

A retirada de civis continua nesta quarta-feira (6) na cidade ucraniana de Sloviansk diante do avanço das forças russas, que buscam conquistar toda bacia de mineração do Donbass, no leste do país.

A cidade, que antes da guerra tinha 100.000 habitantes, é alvo de bombardeios russos em massa há vários dias.

"Vinte e dois anos de trabalho, e perdi tudo", lamentou Yevgen Oleksandrovych, de 66 anos, em conversa com a AFP, enquanto observa sua loja de autopeças reduzida aos escombros.

Ontem, jornalistas da AFP foram testemunha da queda de vários foguetes sobre o mercado da cidade e em ruas adjacentes, onde os bombardeios multiplicam as intervenções para apagar os incêndios.

A parte do mercado que não ficou danificada continua funcionando e atendendo clientes.

"Vou liquidar o que resta, e é isso, ficaremos em casa. Temos porões, vamos nos esconder lá. O que podemos fazer? Não temos para onde ir, ninguém precisa de nós", disse Galyna Vasyliivna, vendedora de frutas e verduras de 72 anos.

O prefeito de Sloviansk, Vadym Lyaj, declarou que ainda há cerca de 23.000 pessoas na cidade, mas afirmou que os russos não conseguiram cercar o município.

"Desde que começaram as hostilidades, 17 moradores da comunidade morreram, e 67 ficaram feridos", afirmou.

"A retirada está em andamento. Estamos retirando pessoas todos os dias. Ainda restam cerca de 23.000 habitantes. Muitos foram levados de ônibus até Dnipro, mais ao oeste", relatou.

"A cidade está bem fortificada, a Rússia não consegue avançar", afirmou.

Vitaliy, um encanador, disse que sua esposa e filha, que está grávida de seis meses, foram retiradas de Sloviansk nesta quarta-feira.

"Estou com medo por minha esposa", disse ele à AFP. "Aqui, depois do que aconteceu ontem, quando atacaram o centro da cidade, precisamos sair", explicou.

"Enviei minha esposa, não tenho escolha: amanhã vou me alistar no Exército", disse ele.

- Pressão -

A resistência ucraniana obrigou a Rússia a abandonar seu objetivo de tomar Kiev rapidamente, após lançar sua invasão em 24 de fevereiro.

A ofensiva se concentrou, então, no Donbass, já parcialmente controlado por separatistas pró-russos desde 2014.

Essa bacia de mineração é composta pelas regiões de Luhansk - que as forças russas assumiram quase completamente - e Donetsk, onde atualmente concentram seus ataques.

A queda de Lysychansk no domingo, uma semana após a retirada do Exército ucraniano da vizinha Severodonetsk, abriu caminho para a cidade de Donetsk.

O governador de Donetsk, Pavlo Kyrylenko, disse que as forças russas mataram cinco civis e feriram outros 21 na região na terça-feira. O governador de Luhansk, Serguei Gaidai, afirmou que os militares ucranianos estão conseguindo repelir as tropas russas.

"Ontem, os russos queriam avançar para o oblast de Donetsk e cortar a estrada entre Bakhmut e Lysychansk (...), mas o inimigo teve que voltar por causa da pressão do nosso Exército", disse ele.

Gaidai insistiu em que a Rússia não controla toda região de Luhansk, observando que "ainda há combates em duas cidades".

- "Guerra de terror" -

Na terça-feira, as sirenes antiaéreas soaram em boa parte do país, incluindo a capital nacional, Kiev.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que continua pressionando as potências ocidentais para que lhe forneçam sistemas antimísseis melhores.

"O bombardeio e os ataques contra civis são nada mais nada menos do que crimes de guerra", considerou o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, nesta quarta-feira, de visita a Kiev.

A ofensiva russa é uma "guerra de terror imoral e não provocada", acrescentou.

O ex-presidente russo Dmitri Medvev mencionou um eventual uso de armas nucleares e descartou que seu país seja alvo de sanções por parte da Justiça internacional, em um momento em que o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, investiga acusações de crimes de guerra na Ucrânia.

"A mera ideia de punir um país que possui o maior arsenal nuclear do mundo é um absurdo por si só. Isso cria uma potencial ameaça à existência da humanidade", disse no Telegram o atual vice-presidente do poderoso Conselho de Segurança da Rússia.

E, ainda nesta quarta, a Rússia introduziu penas de prisão severas, até sete anos, para quem insistir em agir contra a segurança nacional, em um contexto de forte repressão às vozes contrárias à sua ofensiva na Ucrânia.

A guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia provocaram uma interrupção nas exportações de ambos os países, com consequências no aumento dos preços dos cereais e fertilizantes em todo mundo, assim como no abastecimento de energia na Europa.

A União Europeia (UE) anunciou que fará uma reunião extraordinária, no final do mês, para discutir a situação do setor energético no bloco.

"Precisamos nos preparar para mais interrupções no fornecimento de gás, até mesmo um corte completo [do fornecimento] da Rússia", alertou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade