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Estado de Minas CIDADE DO VATICANO

Vaticano publica os arquivos do papa Pio XII sobre os judeus


23/06/2022 18:46

O Vaticano publicou online, nesta quinta-feira (23), milhares de cartas escritas por judeus europeus ao papa Pio XII (1939-1958) pedindo ajuda diante das execuções nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em torno de 40.000 arquivos digitalizados e distribuídos em 170 pastas poderão ser consultados no site da Santa Sé. A maioria deles foi publicada hoje.

Em março de 2020, o Vaticano já permitiu que os pesquisadores tivessem acesso à 120 fundos e séries de arquivos históricos sobre Pio XII, a quem alguns acusam de ter se mantido em silêncio durante o extermínio de seis milhões de judeus.

Essa nova publicação, que obedece à vontade do papa Francisco, permitirá que os descendentes dos remetentes possam "encontrar o rastro de seus familiares de qualquer parte do mundo", explicou o monsenhor Paul Gallagher, responsável pelas relações com os Estados, em um artigo publicado pelo L'Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

Os autores das cartas, que chegaram de toda a Europa, buscavam principalmente conseguir vistos ou passaportes, obter asilo, ajuda para reunir parentes ou informações sobre pessoas deportadas. Alguns pediam ajuda para serem soltos dos campos de concentração.

Mas o destino da maioria dos que pediram ajuda é desconhecida, apontou o Vaticano.

Em uma mensagem escrita em 1942, um estudante alemão de 23 anos explica que quer fugir de um campo de concentração na Espanha. "Há poucas esperanças para os que não tem nenhuma ajuda de fora", escreveu o jovem.

Os arquivos não revelam nenhuma outra informação mas, segundo as investigações do United States Holocaust Memorial Museum de Washington, o homem foi libertado um ano depois de enviar a carta e se mudou para a Califórnia.

Esta publicação, que acontece um dia depois do papa se reunir com uma organização internacional judia, é resultado de décadas de pressão por parte de acadêmicos e historiadores, divididos sobre o papel do papa italiano durante o Holocausto.

O Vaticano defende Pio XII, afirmando que salvou muitos judeus, os escondendo em instituições religiosas e que, com seu silêncio, queria apenas não agravar ainda mais a situação.


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