"Nossas possibilidades de vencer são bastante altas", disse o esquerdista a seus simpatizantes no início de junho durante um comício em Paris.
Com 22% dos votos, o político veterano terminou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial, e agora busca a revanche.
Para ele, as legislativas são como "um terceiro turno", e estima que os eleitores votaram no centrista Emmanuel Macron para evitar a candidata de extrema-direita Marine Le Pen.
Impulsionado por seu resultado e sua imagem de "voto útil", Mélenchon conseguiu, não sem dor, atrair ambientalistas, comunistas e socialistas para criar, junto com sua formação France Insumisa (esquerda radical), uma frente unida para as legislativas.
- "A República sou eu!" -
Macron aposta sua maioria parlamentar nestas eleições. Para tentar frear o avanço dessa Nova União Popular Ecológica e Social (Nupes), enfatizou o "perigo" para a França e o mundo de um Mélenchon no poder.
De fato, suas conhecidas explosões de raiva minaram sua imagem entre os eleitores. A mais famosa delas foi em 2018, quando durante uma busca policial na sede de seu partido em Paris, ele gritou para as forças de segurança: "Eu sou a República!".
No entanto, sua terceira campanha presidencial aconteceu sem muita confusão e com uma imagem mais controlada do candidato. Mas, nesta reta final, voltou a provocar polêmica com um tuíte: "A polícia mata".
A declaração, após a morte de uma jovem em um controle policial, provocou uma onda de indignação política, mas essa forma de "falar com o coração", segundo Ali, um simpatizante de 52 anos, convence parte do eleitorado.
"Mélenchon conseguiu cumprir todos os critérios de um candidato populista (...): discurso de proximidade tingido de demagogia em um corpo autoritário e poderoso", escreve Jérémie Peltier, em nota da Fundação Jean Jaurès.
Neto de espanhóis nascido em Tânger (Marrocos), ele recebeu o apoio dos ex-presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que lhe desejaram "sucesso no primeiro turno" da eleição presidencial.
Jean-Luc Mélenchon, admirador do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez e do partido espanhol Podemos, foi membro do Partido Socialista francês durante 30 anos, senador e ministro, antes de sair bruscamente da formação.
Este ex-militante estudantil trotskista criou seu próprio movimento, o Partido de Esquerda, com o qual obteve 11,1% dos votos na eleição presidencial de 2012 junto ao Partido Comunista. Em 2017, fundou o França Insubmissa.
O "Chávez francês", como foi chamado pelo jornal conservador Le Figaro, considerava o falecido presidente venezuelano "a ponta da lança" de um processo que abriu "um novo ciclo" na América Latina, "o da vitória das revoluções cidadãs".
Pai de uma menina e cuidadoso com sua privacidade, Melenchon sonha em seguir os passos do novo presidente do Chile: "Como Gabriel Boric, retomamos o fio histórico da esquerda francesa e dessas lutas que nos encorajam".
Publicidade
PARIS
Jean-Luc Mélenchon, a esperança da esquerda de voltar ao poder na França
Publicidade
