Bachelet também assegurou, em entrevista coletiva, que ouviu aqueles que a recriminaram por sua falta de crítica ao governo chinês e assegurou que falou "francamente" com os líderes comunistas.
Pequim é acusada de manter um milhão de uigures e outras pessoas de minorias muçulmanas em centros de detenção em Xinjiang (noroeste), esterilizar mulheres e forçar esses cidadãos a realizar trabalhos forçados.
A ex-presidente chilena de 70 anos chegou a Xinjiang na terça-feira, a primeira visita de um alto funcionário de direitos humanos da ONU em 17 anos. Seus colaboradores afirmaram que ela iria visitar as cidades de Urumqi, capital regional, e Kashgar.
"Alguns países ocidentais... deram o seu melhor para atrapalhar e minar a visita da alta comissária, mas o complô não teve sucesso", disse o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, em uma declaração online após a entrevista coletiva.
"Renunciar é a única coisa que ela deveria fazer pelo Conselho de Direitos Humanos", disse Dilxat Raxit, porta-voz do Grupo de Defesa do Congresso Mundial Uigur.
A ativista uigure baseada nos EUA Rayhan Asat disse no Twitter que foi uma "traição total".
O diretor executivo de Direitos Humanos, Kenneth Roth, minimizou o argumento de Bachelet de que sua visita foi valiosa porque ela conseguiu falar abertamente com autoridades chinesas.
"Esse tipo de conversa nos bastidores é exatamente o que o governo chinês quer, sem reportagens públicas, sem pressão para acabar com sua intensa repressão aos uigures e outros", tuitou Roth.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, disse em comunicado que "a visita da Alta Comissária foi caracterizada por fotos tiradas com altos funcionários do governo e pela manipulação de declarações da mídia estatal chinesa, dando a impressão de que ela estava diretamente envolvida em uma propaganda altamente previsível" do governo chinês.
Ao final de sua visita, em entrevista coletiva telemática, Bachelet exortou a China a evitar "medidas arbitrárias" na campanha "antiterrorista" que as autoridades promovem na região de Xinjiang (noroeste).
A responsável assegurou que as autoridades desta região chinesa garantiram o "desmantelamento" da rede de "centros de formação profissional", que as organizações humanitárias qualificam como campos de reeducação forçada.
Bachelet também explicou que levantou a questão da separação da família uigur durante suas reuniões com as autoridades de Xinjiang.
"Estamos cientes do número de pessoas que procuram notícias de seus entes queridos. Esta e outras questões foram levantadas com as autoridades", disse.
Bachelet considerou sua visita uma oportunidade para falar "francamente" com as autoridades chinesas, bem como com grupos da sociedade civil e acadêmicos
Os Estados Unidos e parlamentos de outros países ocidentais denunciaram um "genocídio", acusações negadas com veemência pela China, que garante que trata-se de centros de formação profissional para manter a população afastada do separatismo e do islamismo extremo.
A viagem da funcionária da ONU atraiu críticas de grupos de direitos humanos e uigures no exterior.
Após uma reunião por vídeo que Bachelet teve com o presidente Xi Jinping, a mídia estatal sugeriu que ela apoiava a visão da China sobre os direitos humanos. Mas seu escritório esclareceu que seus comentários não continham um endosso direto ao histórico da China em direitos humanos.
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Bachelet afirma que visita à China 'não foi investigação' e que autoridades não supervisionaram suas reuniões
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