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Estado de Minas JERUSALÉM

Investigação preliminar israelense não consegue determinar quem disparou contra jornalista palestina


13/05/2022 09:26

O exército israelense declarou nesta sexta-feira (13) que, após uma investigação preliminar, não foi capaz de determinar quem atirou na jornalista palestina Shireen Abu Akleh, que foi morta enquanto trabalhava durante uma operação militar israelense na Cisjordânia.

"A conclusão do relatório preliminar é que não é possível determinar a origem do tiro que atingiu e matou a jornalista", disse o exército em comunicado, levantando a possibilidade de que o tiro possa ter vindo de combatentes palestinos ou de um soldado israelense.

"A investigação mostra duas possibilidades sobre a origem do tiro que a matou", diz o texto.

A primeira é que teve origem nos "disparos maciços de palestinos armados [contra soldados israelenses], dentro das centenas de balas que foram disparadas de diferentes lugares".

"A outra opção é que durante o tiroteio um dos soldados tenha disparado várias balas de um veículo (...) contra um terrorista que tinha como alvo o seu veículo", acrescenta o texto.

Israelenses e palestinos trocam acusações pela morte da famosa jornalista, de 51 anos, que trabalhava para a rede Al Jazeera.

Os israelenses pediram às autoridades palestinas a bala que matou a jornalista para determinar a origem do tiro, enquanto as autoridades palestinas se recusam a realizar uma investigação conjunta com Israel e acusam o exército israelense pela morte da repórter.

Paralelamente, a violência irrompeu nesta sexta-feira em um hospital de Jerusalém quando o caixão da jornalista deixava o estabelecimento, com a polícia israelense dispersando uma multidão que agitava bandeiras palestinas, segundo jornalistas da AFP no local.

Imagens transmitidas pela televisão local mostraram o caixão da repórter quase caindo no chão enquanto a polícia israelense dispersava a multidão.

As forças israelenses entraram no Hospital São José em Jerusalém Oriental, setor palestino da cidade ocupado e anexado por Israel.

"Se não pararem com os cânticos nacionalistas, teremos que dispersá-los usando a força e impediremos que o funeral aconteça", declarou um policial israelense em um megafone para a multidão, de acordo com um vídeo divulgado pela polícia.

De acordo com as forças israelenses, "centenas de pessoas" se reuniram no hospital e pedras foram jogadas contra os agentes, que foram "forçados a usar meios de dispersão".

"Forças especiais israelenses brutais estão atacando o cortejo fúnebre de Shireen Abu Akleh saindo do Hospital São José", denunciou no Twitter Hanane Achraoui, ex-responsável da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

O caixão de Shireen Abu Akleh foi finalmente transportado para a Cidade Velha, onde uma missa foi celebrada em uma igreja, antes do enterro em um cemitério próximo.

A morte desta repórter, ícone do jornalismo palestino, provocou uma onda de comoção nos Territórios Palestinos, no mundo árabe - onde suas reportagens são acompanhadas há mais de duas décadas -, na Europa e nos Estados Unidos.

A jornalista palestina cristã, que também tinha nacionalidade americana, foi baleada na cabeça enquanto cobria uma operação israelense no campo de refugiados palestinos de Jenin, no norte da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel.


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