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Estado de Minas WASHINGTON

Repensar o censo nos Estados Unidos, o desafio de seu diretor


06/05/2022 18:41

O censo de 2020 deixou de fora um percentual de cidadãos latinos, negros e indígenas americanos. Para evitar que isso se repita, o diretor do Escritório do Censo, o mexicano-americano Robert Santos, avalia reorganizá-lo e melhorar a tecnologia.

Os resultados do censo determinam o número de assentos para cada estado na Câmara de Representantes dos Estados Unidos e servem de base para distribuir os fundos federais. Daí que o corte a mais de alguns grupos demográficos e a menos de outros ter irritado algumas associações.

Em março, o Fundo Educativo da Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos e Designados (NALEO) protestou porque 4,9% da população hispânica ou latina ficaram de fora do censo (em comparação a 1,54% em 2010).

O Tribunal Supremo, explica Santos, requer que se use a contagem obtida do censo decenal para a distribuição de assentos no Congresso e a redistribuição de distritos, e para isso toma-se a população total do país, um dado "bastante preciso" no censo de 2020.

"O que as pessoas não entendem é que se usa algo diferente do censo decenal para fazer as dotações de recursos federais. Usamos as estimativas da população, que o censo decenal incorpora, mas também outros dados" porque a população muda com o tempo, acrescenta.

Mesmo assim, o sub-registro das minorias preocupa este mexicano-americano de San Antonio (sul), cujos avós emigraram do México no começo do século devido à Revolução Mexicana.

Sua equipe busca "uma forma melhor de representar os latinos e afro-americanos, assim como as crianças de zero a quatro anos" através das estimativas populacionais realizadas entre cada censo decenal para incluir os nascimentos, os óbitos, a imigração...

"Precisamos repensar como fazemos os censos: buscamos modernizar a tecnologia e usar os registros administrativos do governo que são realmente bons e sólidos", como o serviço de impostos, o seguro social, os arquivos do programa federal de seguro médico, enumerou Santos, em entrevista à AFP.

Estes arquivos são muito úteis para as pessoas "fáceis de contar", aquelas que seriam contabilizadas de todo modo, sendo assim estes arquivos são usados para elas, o custo diminuiria e "estas economias podem ser atribuídas às comunidades historicamente difíceis de contar, como os bairros com latinos, afro-americanos e indígenas americanos", propõe.

- Difíceis de contar-

Por que são difíceis de contar?

"Sempre foi assim (...) Algumas pessoas não querem ser contadas. Algumas vivem em situações de moradia em que é muito difícil encontrá-las" por um infinidade de motivos, como casas com garagem dos fundos transformada em apartamento. Requer "que alguém vá e olhe. E é a forma mais cara de fazê-lo".

O caso das pessoas que não querem ser contabilizadas é "um problema de confiança. Havia muita desconfiança entre as pessoas que historicamente são difíceis de contar, como os imigrantes nos Estados Unidos" no censo de 2020.

Algumas associações afirmam que o discurso de tolerância zero com a imigração do ex-presidente republicano Donald Trump gerou desconfiança e medo entre os imigrantes sem documentos.

Santos não quer entrar no mérito da ocorrência de interferência política.

"O difícil historicamente de contar se tornou ainda mais difícil de contar" por muitos fatores, mas sobretudo - diz - pela pandemia "porque havia lares de latinos e afro-americanos que ficaram sem emprego".

"Basicamente sofriam, o último no que iam pensar é que tinham que preencher o formulário do censo (...) Tinham problemas muito mais graves com os quais lidar".

Santos, com pouco mais de quatro meses no cargo, considera essencial gerar confiança com as comunidades locais, explicando-lhes que "os dados, que compilamos para eles e com eles, as ajudam" porque influenciam na distribuição de recursos para as escolas, as infraestruturas, a segurança, os problemas de mudança climática em seu dia a dia.


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