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Estado de Minas LOS ANGELES

Califórnia vai investigar indústria petroquímica por fomentar poluição por plástico


28/04/2022 22:27

O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, anunciou nesta quinta-feira uma investigação sobre a responsabilidade dos gigantes da indústria petroquímica em "causar e exacerbar" a crise global de poluição por plástico.

"Durante décadas, essas indústrias promoveram agressivamente o desenvolvimento de produtos plásticos à base de petróleo e defenderam a minimização da conscientização da sociedade sobre as consequências prejudiciais desses produtos", destacou o gabinete de Bonta, que também anunciou que foi citada a ExxonMobil, "uma grande fonte de poluição global por plástico".

A investigação "irá examinar os esforços passados e vigentes das indústrias para enganar a sociedade e se, em alguma medida, essas ações violaram a lei", explica o comunicado da procuradoria, que descreveu a investigação como "a primeira do seu tipo".

Segundo Bonta, essas empresas venderam "o mito" de que a crise pode ser revertida com reciclagem. "A verdade é que a maior parte do plástico não pode ser reciclado."

O comunicado afirma que, durante décadas, as empresas manusearam esta informação, no entanto "iniciaram uma campanha agressiva e enganosa" para convencer a opinião pública de que reciclar poderia resolver o problema.

A ExxonMobil "rejeita as alegações feitas pelo Ministério Público", disse a empresa em comunicado.

"Somos a primeira empresa a usar tecnologia de reciclagem avançada em escala comercial em uma grande instalação petroquímica. Essa tecnologia converte uma ampla variedade de plástico usado em matéria-prima que pode ser usada para fazer novo plástico", continuou a ExxonMobil.

A taxa de reciclagem de plástico nos Estados Unidos nunca superou 9%, segundo a Procuradoria.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que apenas 10% dos 460 milhões de toneladas de plástico produzidos em 2019 em nível global foram reciclados, enquanto 22% foram abandonados em aterros improvisados, queimados a céu aberto ou lançados na natureza.

O plástico não se degrada totalmente, persistindo em microplásticos. O comunicado menciona estudos que encontraram partículas do material pela primeira vez no sangue e no tecido pulmonar de uma pessoa, e que as pessoas consomem semanalmente o equivalente a um cartão de crédito em microplásticos por meio da água, da comida e do ar.

"Na Califórnia e em todo o mundo, estamos vendo os resultados catastróficos da campanha de mentiras que, por décadas, manteve a indústria de combustíveis fósseis", disse Bonta. "Já basta."

Os produtos plásticos contribuem para cerca de 3,5% das emissões de gases do efeito estufa. Em março, a ONU anunciou uma negociação para concluir o primeiro acordo global contra a poluição por plástico.

EXXONMOBIL


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