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Estado de Minas LONDRES

Reino Unido anuncia controverso plano de combate à migração clandestina


14/04/2022 16:30

O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (14) um plano controverso para controlar a migração clandestina, que inclui o envio de solicitantes de asilo para Ruanda, um país africano a 7.000 km de distância, e o monitoramento de travessias ilegais do Canal da Mancha com navios militares.

"A partir de hoje, a Royal Navy assumirá o comando operacional no Canal da Mancha (...) para garantir que nenhuma embarcação chegue ao Reino Unido sem ser detectada", anunciou o primeiro-ministro Boris Johnson, durante uma visita a Dover, na costa do sul da Inglaterra, por onde chegou nos últimos meses um número crescente de embarcações com migrantes.

Para apoiar a Marinha, o Executivo vai dedicar 50 milhões de libras (65 milhões de dólares, 60 milhões de euros) para mais pessoal e material novo, como helicópteros, aviões e drones, disse.

Paralelamente, o seu governo chegou a um acordo com as autoridades ruandesas para enviar àquele país africano, com um "lamentável balanço em termos de direitos humanos", segundo a Anistia Internacional (AI), pessoas que entrem ilegalmente no Reino Unido e quem entrou desde o início deste ano.

A ministra do Interior britânica, Priti Patel, viajou a Kigali para fechar este acordo milionário, que provocou a indignação de ONGs como a AI, que denunciou "uma ideia escandalosamente mal concebida" que "vai causar sofrimento e desperdiçar enormes quantias de dinheiro publico".

Ruanda vai receber 120 milhões de libras (157 milhões, 144 milhões de euros) "para acolher solicitantes de asilo e migrantes e dar-lhes um caminho legal para a residência" em seu país, informou o seu ministro das Relações Exteriores, Vincent Biruta.

Este projeto do Reino Unido suscitou reações furiosas de ONGs e a "firme oposição" do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

"As pessoas que fogem da guerra, de conflitos e da perseguição merecem compaixão e empatia. Não devem ser trocadas como se fossem mercadorias e transferidas ao exterior para ser processadas", disse, em um comunicado, Gillian Triggs, Alta Comissária Adjunta do Acnur para a Proteção Internacional.

- Desviar a atenção -

O plano - que pode afetar "dezenas de milhares de pessoas nos próximos anos", segundo Johnson - pode se aplicar a todos os migrantes ou refugiados que chegam clandestinamente ao Reino Unido, independentemente do país ou continente de onde vêm.

A oposição britânica acusou Johnson de tentar desviar a atenção do escândalo sobre festas ilegais em Downing Street durante o confinamento pela pandemia, pelo qual ele foi multado na terça-feira, levantando temores de uma nova crise política dentro de seu Partido Conservador.

Nadia Hardman, especialista em proteção de requerentes de asilo e migrantes da ONG Human Rights Watch, alertou para as consequências para refugiados como os sírios.

"Os refugiados sírios estão desesperados para se estabelecer em algum lugar seguro", disse à AFP, e "o acordo do Reino Unido com Ruanda só complicará essa busca".

"Eles chegarão esperando ser tratados de acordo com os valores fundamentais que o Reino Unido afirma defender, mas em vez disso serão levados a quilômetros de distância para outro país em um continente totalmente diferente", disse.

O controle da imigração foi uma das questões-chave durante a campanha do Brexit. Depois de tirar o país da União Europeia em 2020, Johnson prometeu acabar com as chegadas clandestinas.

Mas os números não param de aumentar: 28.500 pessoas fizeram a perigosa travessia do Canal da Mancha, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, em 2021 em embarcações precárias, ante 8.466 em 2020 e 299 em 2018, segundo dados do Ministério do Interior.

Tim Naor Hilton, diretor-geral da ONG Refugee Action, denunciou o novo plano como uma "maneira covarde, bárbara e desumana de tratar as pessoas que fogem da perseguição e da guerra".


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